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Tendências e Empreendedorismo - Gramado como Modelo Palestra

sexta-feira, junho 25, 2004

Quando eu era guri
Paulo Cardoso

Dizem que quando a gente fala isso, é porque está ficando velho. Na verdade há muitos sintomas da velhice: Certidão amarelada, cabelos brancos, esquecimento (quando você conta com animação um fato e seu interlocutor, tedioso lhe diz que já sabia, porque você mesmo lhe havia contado algumas vezes, é porque sua memória…bom, você está velho), saudade dos amigos da infância e principalmente por achar que o mundo já não é mais o mesmo daqueles tempos de antanho. Enfim, quando você tenta recuperar o tempo que deixou de passar com os velhos amigos e descobre que eles não são mais os seus velhos amigos, mas antigas lembranças que não desejejam lembrar que tamb´m estão velhos, e sua presença produz esse mesmo efeito neles.
Mas quando eu era um guri, não digo tão tenro que mijasse na cama, mas quando ainda acreditava que poderia e precisava mudar o mundo, embora não soubesse o porquê e nem de que jeito, mas brigava por isso, brigava por aquilo e assim como brigava, ao primeiro rabo-de-saia que passasse, as mudanças do mundo que esperassem, pois eu tinha que cuidar de interesses maiores: a minha própria vida, e quem sabe, se o belo rabo-de-saia permitisse, a vida de minha futura família, cuja máter recém se apresentava para esta oportunidade.
Isso, naturalmente, até cruzar pelo próximo rabo-de-saia, e assim a vida seguia seu curso. Afinal, eu ainda era um guri.
Mas quando eu era um guri, a vida não tinha tanta pressa. Eu é que tinha pressa de viver a vida. Mas ela olhava para mim com uma doçura que só a vida é capaz de ter e me chamava para conhecer o mundo. E lá ia eu, feliz da vida e com a vida, acreditando que com esse andar, pudesse mudar o mundo. E encontrava outros moços, que como eu, de braços com suas próprias vidas, mudavam às suas maneiras o seu próprio mundo.
Mas a candura dos tempos nos traz de volta à lembrança de que não somos mais guris. Não pelo menos nós que travávamos aquelas lutas pela primazia dos olhares dos nossos velhos rabos-de-saia, que hoje tamb´m, em algum lugar do presente, devem se lembrar com terno fechar de olhos, os doces tempos em que esses homens a caminho da velhice eram ainda guris.


quarta-feira, junho 23, 2004

Vergonha na Cara
Paulo Cardoso

Isso é um negócio que uns têm. Outros não. Eu explico: mentira por exemplo. Quem admite que é mentiroso, mas assim , na cara dura, deslavado? Que eu saiba, ninguém. Pois muita gente é. E se for chamado de mentiroso, tipo assim, na lata, no dedo em riste, ah, mas vira bicho. Diz que lhe ferem os brios, e que pataquá, e etecétera. Mas continua sendo mentiroso. E sem caráter. E como, mas como tem gente desse tipo.
Vejamos um exemplo: Ah, esta é uma prova para saber se você tem caráter, se é honesto, se tem vergonha na cara e se não é mentiroso. Vamos ao caso:
Você está fazendo algo, mas não se caracteriza como algo absolutamente urgente. Nada o impede de divergir do assunto uns minutinhos , porque não fará a menor diferença. E o telefone toca. Pronto: está armada a circunstância propícia para começar sua cota de mau caratismo do dia. Talvez a primeira de uma série delas. Bem, nesse tempo, o telefone já tocou novamente duas vezes. Voce grita: “Mas ninguém atende essa merda de telefone?” (esqueci de mencionar que a merda do telefone está na mesa à sua frente. Alguém é generoso e atende:
- Alô! Quem? Fulano? Ah, … (e voce imediatamente inicia um balé de sinais pra saber quem é).
- Um momento, sim. Vou ver se está. Aí entra “Kalinka”, aquela outrora tão linda e sentimental melodia russa, agora tão banalizada pelo som de “bits”. Diria até que se trata já do hino nacional da mentira.
E você diz, aos gestos apavorados de uma coreografia sofrida que “de jeito nenhum. Que você soube de um parente em coma no Alasca e que foi obrigado a prestar solidariedade a uma família de afegãos que dependiam emocionalmente desse parente, porque eram refugiados no Egito”. Isso. Essa seria uma desculpa aceitável pra não atender nenhuma espécie de telefonema. Afinal, o que as pessoas pensam? Que podem pegar num telefone e sair ligando pras pessoas? Mas com quê direito?
- Alô. Desculpe a demora…é que tive que correr atrás do avião na pista molhada, mas já havia decolado..infelizmente..foi visitar..blá..blá…blá.
- Não, infelizmente não há a menor previsão de retorno, não pelo menos enquanto o PT estiver no governo.. mas, o senhor gostaria de deixar recado? (e diz isso com a voz mais cândida do mundo) Não? Deixe então seu telefone, que o fulano vai ligar, assim que retornar..está anotadinho aqui. Não se preocupe. Obrigado.
As desculpas variam. Ora é para o Alasca. Outra vez é desencalhar o Rainbow Warrior dum poço de petróleo incendiado pelos anti-ecologistas no Cáucaso. Tem vezes que não há desculpa alguma: simplesmente o telefone fica fora do gancho (eu ainda vou escrever sobre isso: porque raios se chama “gancho”, se nem gancho tem mais. Ou por que se chama “discar”, se é tudo com teclas?), e a vítima que se lasque.
E então: pronto. Você mentiu. Mentiu descaradamente. Mentiu porque é um covarde. Mentiu porque não tem a menor consideração com as pessoas. E mesmo que na outra linha esteja um chato, voce mentiu porque não tem peito pra dizer: Pô, não me amola. Eu não quero falar com você. Não me ligue.
Mas por que se expor, se mentir é mais barato? Mais divertido? Menos agressivo? Afinal, você É civilizado. E nesse caso, mentir é uma marca de sutil elegância.
E depois você se queixa que este mundo está pior, porque as pessoas não são verdadeiras. Porque os valores morais foram apagados pela busca do ter em lugar do ser. Pelo mau caratismo dos outros.
E há outras mentiras que varrem a sua vida. A mentira do cheque que um caloteiro lhe passou, e por isso não pôde saldar um compromisso no dia, quando simplesmente você não tem coragem de dizer: “Não pude te pagar hoje. Calculei mal, errei no meu planejamento. Gastei o que não podia e comprei o que não devia, e agora me ferrei. Mas sempre tem outro na ponta da linha. Sempre os outros são os culpados pelos nossos infortúnios.
Por que não assumir de uma vez, passar uma vassoura na sujeira da nossa vida, assumir que cometemos burradas atrás de burradas e dizer: pronto. Desabafei. Errei. Fiz besteira. Mas não quero mais errar. Não quero mais mentir, não quero mais emporcalhar minha honra nem fazer as pessoas de bobas. Não quero mais embromar as pessoas. E se o fizer, quero ter a dignidade de voltar atrás e dizer: “Me perdoe, porque eu fui sacana”.
Mas, claro, que isso quem tem que fazer são os outros. Você é perfeito. E se você é perfeito, então você é quase um deus. E se você se sente um deus, então você é um mentiroso, porque Deus só há Um. E nunca mentiu.
O direito de estar errado
Paulo Cardoso

Temos todo. Principalmente porque erramos o tempo todo. Felizmente, porque os erros são nosso grau de colação na tão promulgada “Escola da vida”.
Diz o adágio popular que só o homem tropeça duas vezes na mesma pedra. É verdade. Mas também só o homem pode se perguntar: “por que botaram esta pedra no caminho?”
Diz-se do homem ser fruto do seu meio. Meia verdade nisso, porque conheço gente decente neste mundo, e dizem que este mundão velho não é mais de se pegar com a mão. Meia mentira isso também, porque já encontrei pessoas que nasceram e foram criadas em famílias exemplares, mas se tornaram vegetais sociais.
Diz-se do homem ser um animal social. Não se compara: animal social pra mim é a formiga. Não Bush nem Bin Laden. Diz-se também do homem ser o melhor amigo do cão. Não? Ah, é o contrário? Justificado então os criadores de pitt bulls.
Diz-se que aqui se faz, aqui se paga. Ah, tá. Falem isso ao governo que daqui toma e lá for a tanto paga. Mas tamb´m se diz que cada povo tem o governo que merece. Pode ser. Todos devem ser castigados para se purificar e aprender a errar menos. Ah, mas dizem, isso eu não posso afirmar que saiba por mim mesmo, mas dizem, que em priscas eras o salário mínimo era o mínimo justificável para se chamar de salário, isto é, a justa paga por um dia de trabalho. Ah bom, mas isto não mudou. O salário mínimo é exatamente o suficiente para o que o homem necesita dar à sua família em um dia de trabalho. O problema é que o mesmo dinheiro precisa durar um mês.
Acho que estamos exercendo com louvor nossos direitos todos: o de errar, e o de pagar pelos erros dos outros. O de falar, e o de pagar políticos para que falem por nós. O de viver, e o de atrapalhar aqueles que vivem à custa do dinheiro que falta dentro do mês em nossos salários.

terça-feira, junho 22, 2004

Relacionamentos
Paulo Cardoso

O tema central das lições da Escola Sabatina no próximo trimestre tratam de um ponto sensível na igreja, mas não apenas dela, como também do grande problema do novo século que engatinha por nossa existência. Oportuno e providente começar uma nova estrada cuidando da essência da vida: o trato de umas pessoas para com as outras. No meu entender, a mensagem central da pregação de Cristo, e a mensagem de esperança para o porvir, onde, caso as pessoas se comportassem exatamente do jeito que se comportam nos dias de hoje, sinceramente, não haveria a menor graça desfrutar da eternidade.
A questão dos relacionamentos começou no Céu, passa pela terra e volta e ter seu desfecho no mesmo Céu. Não se trata portanto de algo simples nem pequeno, mas vital e que se referencia no infinito. Sobre isso não há controvérsias. Pelo menos no meio cristão. Na verdade, controversa mesmo a questão dos relacionamentos nunca foi. Todos sabem, crêem e pregam que eles são a base de sustentação de uma sociedade. O que diferencia isso de outras civilizações, que também pregam a paz entre as pessoas, a tolerância, a compreensão, a empatia e a simpatia, enfim, os meios que produzam bem estar entre uma e outra pessoa quando estas têm que dividir espaços comuns, é a forma com que devem ser resolvidas as diferenças: pela justiça e pela humildade.
Eis aí o grande problema. Humildade. Todos pregam e instam à sua prática, desde que comece pelos outros. Todos desejam a paz, desde que os outros a pratiquem. Todos acham que impostos são devidos, desde que só os ricos os paguem. Todos acham que o país tem que mudar, desde que o governo o faça, e faça sem tocar na liberdade e no direito que cada um tem de se omitir. Todos acham que a administração de sua organização está errada e é arbitrária, mas nem todos lembram que as grandes corporações são a representatividade dos erros e acertos das pequenas coprorações, desde o grupo social local, passando pela família até chegar na organização moral e ética do indivíduo em si.
Não adianta desejar mudar o mundo, se não mudar a nação. Não adianta mudar a nação, se não mudar a sociedade. Não adianta mudar a sociedade, se não mudar a família, e de nada adianta mudar a família, se os hábitos viciosos de indivíduo não forem purgados em benefício de uma vida melhor, de uma familia melhor, se uma sociedade melhor e de um mundo aceitável.
De quem são os erros pelos erros dos outros, senão meus próprios erros pela omissão? De quem são os desvios da sociedade senão meus próprios desvios pelo egoísmo e marasmo ético? O são os tropeços dos caminhos senãos as pedras que eu próprio espalhei para impedir que outros andassem pelos caminhos que julgava meus? De quem são os espinhos senão os que semeei pelos campos alheios e que o vento os espalhou em minha própria seara?
De nada vale discutir relacionamentos se não estivermos dispostos a despir-nos dos trapos sujos de nossa covardia. De nada adianta espargirmos perfumes pelo ar se não estivermos limpos antes. De nada adiantam os belos discursos, se nossa vida não falar mais alto que nossa própria voz.

O Onze do nosso descontentamento

Paulo Cardoso



Definitivamente ninguem põe em dúvida que onze de setembro e onze de março
são duas datas divisórias, ou melhor dizendo, o primeiro onze divisa os
tempos, e o segundo, sela o têrmo nas mentes estupefactas do mundo temeroso.

E não foi apenas no complexo caminho das relações internacionais que isso
fez sentido, mas em tudo quanto a mão e a mente humanas podem influenciar:
na guerra, nas relações comerciais, políticas e institucionias. A justiça
foi redesenhada e as fronteiras se tornam a cada dia mais e mais
intransponíveis. O terror se espalha entre as nações. O mêdo toma o lugar da
esperança. E a paz se mostra cada dia mais distante de nós.

Desde que eu era menino, aprendi a estudar profecias e cria nelas porque eu
as estudava. Hoje creio no seu cumprimento, porque vejo diante de meus olhos
o destino das nações se descortinando diante do mundo como uma grande tela
de cinema que mostra com efeitos especialíssimos o fruto da imaginação de um
diretor.

Mas não estamos num cinema. O espetáculo magnífico escrito além dos portais
do infinito de nossa compreensão, ora se descortina como um rolo que se
abre. Mas a diferença é que não estamos diante deste rolo, mas dentro dele.
Não somos espectadores, mas persoganens desse épico formidável. Não somos
pagantes da bilheteria, porque alguém já pagou nosso ingresso. Não
pertencemos aos espectadores, porque somos protagonistas.

Os onze de nossas vidas serão jamais esquecidos, porque nos acompanharão
como marcas da intolerância e do desejo incontido de reviver a triste
história das grandes civilizações. Os onze de nosso tempo nos fazem lembrar
os antigos impérios, que foram conquistados pelo terror e dominados pelo
medo. Os métodos são os mesmos. Só as armas evoluíram. Hoje é bem mais
rápido criar civilizações e sufocar resistências. Quem viver, verá.



segunda-feira, junho 21, 2004

O caso da sogra



O caso da sogra


Demerval não era cego. Demerval não era louco. Demerval sabia tudo o que estava acontecendo com sua vida, a começar com sua casa. Ou, melhor, a casa da sogra, onde morava.

Naqueles tempos bicudos e com salário de professor de geografia em escolinha publica, Demerval sabia que era um abençoado em ter onde morar sem pagar aluguel, condomínio nem IPTU. Por isso nunca reclamava. Chegava sempre no mesmo horário, saía na mesma hora e comia as mesmas coisas. Sempre. Todo dia. Menos domingo, que tinha salada de maionese com carne de panela e spaghetti. Tudo feito pela sogra, pois afinal, demerval morava na casa da sogra.

Não era uma sogra ruim. Era até boa. Muito boa, pra dizer bem a verdade. Era diferente do conceito pré definido que devem ter todas as sogras. Ainda jovem, esbelta, bem cuidada, a sogra(por razões éticas, prefilo me referir à ela apenas pelo título: sogra) era uma mulher fina e delicada. Tinha as mãos ainda macias, a pele firme e um belo sorriso. Não era um sorriso qualquer, mas costumava sorrir com o olhar. Sorria quando andava e sorria ao permanecer calada. E ele não deixava de perceber isso, o que também o fazia emitir um orgulhoso e discreto sorriso.

E assim passavam os dias de demerval. Pode-se dizer que, embora vivendo na casa da sogra, porque a doçura dela o deixava feliz. Demerval era feliz. Mesmo tendo sido deixado pela mulher havia mais de cinco anos. Restara-lhe o verdadeiro amor de sua vida: a sogra.
Ela tinha sido sua professora de primário. Sempre linda e meiga. Um encanto. Com oito anos de idade atrevera-se a pedi-la em casamento. Ela respondeu um esperançoso “talvez, um dia”. E ele acreditou. Os anos se passaram, ela se casou..com outro. Era mais velho que Demerval, mais rico, tinha um carro..e Demerval uma bicicletinha aro 24..impossivel de competir. Mas, o tempo era o Senhor da razão, deixa estar, pensava Demerval.. Choveria na horta dele.
O tempo passou. Demerval nunca se casou. A professora teve uma filha. Linda, lourinha, olhos azuis..que cresceu, tornou-se uma bela mulher. Levada, arteira, atrevida. Tudo estava saindo perfeitamente de acordo com o que planejara Demerval.
Um homem mais velho, cheiroso, alegre, decente, e ainda conhecido desde a tenra infância da professorinha, nada mais perfeito. E Foi assim que Demerval, depois de muitas flores, presentinhos e presentões, delicadezas, se casou com a filha da sua professora.
Um gentleman. Um impagável cavalheiro. Cavalheiro demais. Cercava a esposa com flores. Mas ela queria mais. No âmago da sua juventude feminina, ela queria emoção. Ele dava presentes. Para a esposa..e para a sogra. Convidava a esposa para um jantar íntimo à luz de velas: ele, ela..e a sogra.
A sogra adorava. Aquele menino de ouro não a enganara. Doce e cavalheiresco, como o fora sempre desde a primeira série. Era o genro perfeito.
Mas não era o marido que sua filha sonhara. Não que fosse descuidado com suas obrigações. Não era. Era pontual, servil, gentil e delicado. Até que um dia ela não aguentou mais e foi-se embora. Queria mais. Queria aventura. Queria um homem normal. Ela se casara com um genro mas nunca teve um marido. Puxa vida. Por que ele não poderia ser só um pouquinho parecido com os outros? Deixar a cuéca atirada no corredor..as meias na mesa de jantar, arrotar à mesa..roncar..dizer palavrões. Por que ele não faltava pelo menos uma vez com o respeito para que ela tivesse uma única oportunidade de jogar tudo na cara dele?
Mas não. Demerval era metódico. Matemático. Amoroso. E nem queixar-se à mãe ela podia, porque iria dizer o quê? E logo pra quem. Daí foi-se embora. Só o que sua dignidade machucada lhe permitiu fazer foi deixar uma carta de despedida..em branco. E Demerval ficou só..com a sogra.
Não. Demerval nunca mais ousou pedir a professora em casamento. Ela já dissera seu talvez. E esse “talvez” era a certeza de que Demerval necessitava para ser feliz. Mesmo que ao lado da sogra.

Uma certa manhã
Paulo Cardoso

Sempre fui favorável a que as manhãs começassem mais tarde. Talvez depois do meio dia. Bem, podem achar que é tarde. Então tá. Pelas dez. Feito. Hora ideal para se abrir a janela, olhar a vida, cumprimentar o dia e..se estiver chuvoso, então voltar a dormir, que nesse caso é o melhor jeito de esticar a vida pelos caminhos do sono.
Acontece que nem todos pensam assim. Eu entendo. Perdôo-lhes a falha de caráter. Entendo que é perfeitamente justificável que algumas pessoas gostem de levantar cedo. Eu faço isso. Sim, religiosamente aí pelas seis da manhã. Todos os dias. Cumpro minhas obrigações, dou descarga e volto a dormir.
Entendo também que as pessoas possam não gostar das segundas feiras e também das sextas. Pessoalmente acho isso: as segundas não têm defesa mesmo, mas as sextas, ah não. Essas têm que ser justificadas. Afinal, qual é o dia que precede o sábado? Heim? No meu caso, por religião, faço do sábado meu descanso prazeroso. Mas há outras religiões no mundo, cujos prosélitos merecem todo o meu respeito. Até mesmo a turma que ama a sexta feira porque, dizem, isso eu não sei, mas dizem que é o dia internacional da cervejada e batucada na casa do Belô. Dizem também, isso eu não sei, pois minha religião também não me habilita a comer dessas firulas gordurosas como torresminho, salsichinha e louras alheias. Mas isso eu também tenho que fechar um olho pros que não vêem nada de mal em trebeliscar uma friturinha aqui, outra celulite ali. Cadum, cadum.
Longe de mim desejar reformar o mundo. Isso nunca. Acho bom demais do jeito que ele é. Acho que está tudo certo…tá, tá, nem tudo. Bom. Então se é pra mexer, acho que então tem que ser faxina geral. Vamos por mãos à obra e começar. Guerra: Vai pro lixo. Roubalheira, seja no governo, nos cultos ou no jogo do bicho: sem perdão. Ensaca e deixa do ladinho, que na quarta feira o lixeiro leva. É dia de lixo orgânico. Vejamos..tem aqui uns trecos..que..ah, já sei: mesquinharia..ih, acho que esse o lixeiro não leva. Certo, enterra.
Mas temos que organizar essa faxina: todos devem usar luvas, porque tem uma inhacas que não saem nem com detergente sanitário. E depois de tudo bem limpinho, vamos lavar tudo com água de lavanda.
Então certo. Tudo arrumado, vamos ao banho, porque os olores putrendos, aquela murra, fica nas mãos, nos cabelos, no coração. Todo mundo pro banho…ei..epa, epa, epa..quando eu disse “todo mundo”, eu quis dizer: mulher numa banheira, homem noutra. Mas QUE COISA. Mal arrumaram a bagunça e já querem começar tudo de novo?

A diferença dos iguais
Paulo Cardoso – Designer
www.pacard.com.br

O século XXI, pensávamos nós nos anos 70, seria muito diferente do que é. Ou melhor, o início deste século começou muito diferente do que pensávamos, poderia ser. Achávamos que seria marcado pelas viagens a outros planetas como uma coisa corriqueira. Não é. Imaginávamos que todos se vestiriam como os “Jetsons”. Não se vestem. Acreditávamos que as casas seriam inteligentes, acionadas por comando de voz, e até do pensamento. Não são (a casa do Bill Gates, de 60 milhões de dólares não pode ser levada em conta). Acreditavam os otimistas que a medicina encontraria a cura para o câncer. Não encontrou. O que aconteceu foi que proliferaram novas espécies de doenças, inclusive de câncer. O pensamento otimista e futurista daquela década ficou a nos dever muito.
Claro, que coisas acontecem em nossos dias quem nem os mais brilhantes visionários dos anos 70 poderiam imaginar: a internet, a clonagem, a transformação do Lula, a queda do comunismo, a capitalização desenfreada da China e clubes como o Flamengo, Grêmio e Palmeiras, perdendo espaço para o 15 de novembro, o Ponte Preta e o Cacimbinhas F.C.
Tudo isso, soma-se a outros bilhões de bits que a informação cibernética derrama a cada instante em nossas inábeis mãos em prover informações a devolver ao teclado, chegando a travar com uma das novas e imprevistas enfermidades: a tendinite.
As horas do dia são as mesmas, mas os dias são mais curtos. O mundo continua do mesmo tamanho, mas os espaços diminuíram. As distâncias continuam as mesmas, mas o tempo entre elas ficou mais curto. Os homens continuam os mesmos, mas estão muito diferentes. As multidões ainda são multidões, mas a solidão aumenta a cada dia. A globalização está tornando as pessoas cada vez mais iguais, e ao mesmo tempo tão carentes de suas diferenças. Isso porque somos únicos no universo de bilhões. Nossa dor continua sendo pessoal, como os sentimentos são íntimos. Então, buscamos nosso elo perdido: o elo de nossa individualidade. E onde poderemos encontrá-lo, senão dentro de nós mesmos e das janelas dentro de nós que podem se abrir para o mundo que podemos ver do jeito que desejarmos e na intensidade que pudermos ver?
O design é isso tudo: nossas janelas e nossa identidade. Pode ser pupular, pode ser seriado, mas será sempre individual. Supramos então este mundo com o sabor de suas diferenças, e isso façamos através do design. Cores, formas e essência, iguais para muitos, individuais para cada um.

terça-feira, março 23, 2004

Nossa Empresa

A Pacard Furniture Design ® tem se destacado nos últimos anos pela agilidade e competência de seu desempenho profissional. Não exagera a mídia que divulga nosso trabalho com a cifra de 650 novos produtos em 2003. Evidentemente não foram todos lançados ainda, mas sua essência tem sido mostrada ao longo de 2003 e nas feiras profissionais de 2004 (Movelpar, Arapongas, PR; Salão do Móvel Brasil e Gramado Móvel Show, Gramado, RS), e o resultado tem se mostrado positivo para os empresários que estiveram conosco no trabalho que realizamos. Podemos afirmar com convicção que colaboramos para o início de um “upgrade” do polo moveleiro de Gramado.
Mas nossa missão continua e nos estruturamos pra trabalhar no mesmo ritmo do desafio que enfrentamos em 2003. Para isso contamos hoje com uma equipe capacitada, tecnologia e muita, mas muita criatividade.
Nossa empresa é reconhecida entre as principais do Brasil e tem reconhecido o seu trabalho nas mais destacadas publicações do meio profissional, como as revistas Móveis de Valor, Toque de Classe e Decore, bem como nos sites da ABD (Associação Brasileira de Designer de Interiores – www.abd.org.br); www.arqbrasil.com.br; www.portalmoveleiro.com.br e outros.
Seu diretor e principal designer, Paulo Cardoso, possui uma experiência de mais de trinta anos no setor moveleiro; Faz parte do Clube do Designer, um seleto grupo de profissionais brasileiros da industria moveleira. Participa ativamente do meio em Gramado e tem um currículo bastante vasto em seu autodidatismo, o que o torna um dos profissionais mais respeitados do país atualmente neste setor.

Nossa Missão:

Quebrar paradigmas e enfrentar os desafios do mercado com criatividade e qualidade de serviço.

Nossa proposta:

Criar continuamente. Desenvolver o maior numero possível de produtos para proporcionar ao mercado através da industria diferenciação do design e implemento de novos materiais e tecnologias.

Como Atuamos:

De duas formas ajustadas à capacidade das empresas:
1 – Por coleção de produtos.
Nesse caso, pesquisamos e desenvolvemos uma linha de produtos adequada às necessidades da empresa, acompanhamos o desenvolvimento dos protótipos (ou ainda prototipamos, quando necessário), e estabelecemos um compromisso até o lançamento dos produtos.
2 – Por consultoria permanente. Nesse caso, firmamos um valor mensal de prestação de serviços entre a Pacard Design, sem vínculo empregatício, e efetuamos todo trabalho de pesquisa, desenvolvimento e upgrade dos produtos existentes ou novos, limitando o numero de peças por ano de trabalho a serem criadas, além de um numero determinado de horas em chão-de-fábrica geralmente para uma vez por semana ou quinzena, onde participamos de reuniões e prestamos consultoria em Gestão e Estratégias do Design para médio e longo prazo.

Ê importante que coloquemos que nosso estudio realiza permanentes pesquisas em tendências, mercadologia, tecnologias e materiais, mantendo contínuo acompanhamento e debate com renomados pesquisadores, e este conhecimento é inteiramente repassado aos nossos clientes no curso da consultoria.
O contrato mínimo é de 01 (um) ano, e o valor mensal é de R$ 1.050,00, para um total de 12 horas mensais, e criação de 30 novos produtos durante este período. Deslocamentos for a do município de Gramado serão acrescidos das despesas de logística e acomodação.
Está incluso nas horas em chão de fábrica o treinamento e capacitação das equipes de vendas, incluindo cursos práticos e teóricos de Iniciação ao Desenho, Iniciação ao Design e História do Mobiliário, com reconhecimento de estilos e padrões, e noções de tendências. (Para esse fim, a empresa deverá disponibilizar espaço e os materiais necessários).

Desejamos marcar uma visita à sua empresa, caso haja interesse em evouluirmos esta proposta. Em caso positivo, contate com nosso estúdio:
www.pacard.com.br
pacard@hy.com.br
comercial@pacard.com.br
Fone 54 2821326
Cell 54 91210863

segunda-feira, março 22, 2004

VENHA CONHECER OS SEGREDOS DO
Design de móveis

Com
PAULO CARDOSO (PACARD)

Desenho e perspectiva
Teoria do design
História do mobiliário
Iniciação à criação

AULAS PRÁTICAS E TEÓRICAS
NO Próprio atelier do designer
VAGAS LIMITADAS
www.pacard.com.br
pacard@hy.com.br
fone 54 282 1326 – cell. 54 91210863
Início: Abril/2004

segunda-feira, março 15, 2004

JÁ COMECEI A SAFRA DE 2004/2005. Estou com ótimas coleções em andamento. Contate comigo.
54 282 1326
54 9121 0863

quinta-feira, março 11, 2004

Ói só o chique:
Meus trabalhos foram selecionados para um CASE NACIONAL SEBRAE. Viu só! Agora sou NOTÁVEL no úrtimo...

quarta-feira, março 10, 2004

Antes e depois
Efetivamente eu não menti. Ano passado as revistas Toque de Classe e Móveis de Valor tiveram a bondade de publicar um palpite meu a respeito do resultado das feiras de Gramado, especialmente a Gramado Móvel Show, no que se refere ao “estilo de Gramado” em seu prolífico mobiliário. Disse que ia mudar e mudou. Disse que isso se tornaria num movimento, numa avalanche. Se tornou. Disse, ao curso de 2003 que meu atelier estaria disponibilizando ao mercado cerca de 650 novos produtos. E aconteceu. Nem todos, naturalmente foram para a feira, mas uma significativa mostra deles foi. E fez rumor. Foi dado início ao processo de upgrade do móvel de Gramado (que por sinal, tem candidato a dono essa marca, e logo ameaça avalanchar de processos os que se beneficiam disso. Uma empresa de Blumenau está tentando efetivar o registro da marca “Móveis de Gramado” processo nº 816134901 no INPI), seja lá o que isso quer dizer, ou que estilo tenha até hoje.
Quem visitou a Gramado Móvel Show pôde comprovar que o nível alcançado pelas fábricas que lá estiveram é tão capaz de competir com design e qualidade quanto o de qualquer outro pólo no Brasil. Passou o tempo em que Gramado era um aglomerado de pequeninas marcenarias dispostas e fazer de tudo para mobiliar os sonhos dos consumidores. Chegaram mais longe: ainda fazem isso, mas com muito mais qualidade e o mais importante de todos os detalhes: com design próprio.
Gramado está sendo transformada de um nucleo de mão de obra marceneira para um centro formador de design. E um centro completo. Novos profissionais estão surgindo. Novas idéias necessitam materializar-se. Nosvos elementos se fundem e começa a surgir uma nova face de Gramado: centro formador de expressão em design de produto.
Bem verdade que está mudando: a tecnologia está mudando; os materias estão mudando, as madeiras não são mais as mesmas, mas uma coisa ainda deve permanecer: a alma de Gramado. A eseência do verde, o sabor do frio, o cheiro de primavera e toda a poesia do entardecer. Isso tudo vai ficar. E quem sai ganhando sempre é o consumidor. E es escolas de arquitetura que precisam rever em seu dicionário a definição do “Estilo de Gramado”.

*Pacard


quinta-feira, julho 31, 2003

A palavra mais frequente no meio do design é "Releitura". Para tudo se faz
uma releitura. Lavoisier, acho que foi o descobridor da releitura, quando
dizia que no mundo nada se cria, nada se perde: tudo se transforma. Isso
também acontece no mobiliário. E como acontece. A vantagem e o que torna
possivel as releituras é a inovação dos materiais. Então se pode tratar o
novo com a cara do velho, e dar ao que é velho a disciplina das formas,
cores, texturas e materiais do que pode ser mais novo ainda. E assim caminha
a humanidade.
E o que é novo hoje? Ou melhor, o que vai ser novo amanhã?

segunda-feira, maio 12, 2003

PACARD -
Furniture design


Estrutura Medotológica
para
Desenvolvimento de Novos Produtos

1 - Resumo

O trabalho propõe uma metodologia de abordagem na gestão de projetos no desenvolvimento de produtos moveleiros, tendo como base teórica normativas de segurança do trabalho (NR-17), publicações técnicas do meio científico e opiniões de profissionais que atuam no segmento através de instituições envolvidas no processo, tais como:
UDESC (Prof. Eduardo Miguel Talmasky, Dr. Engº); SENAI-CETEMO/ UCS (Renato Hansen, Coord. De Curso de Tecnologia de Produção Moveleira; Kaminski, 2000, no qualitativo do desenvolvimento do projeto em si; Favero e Castro Casaroto, citados por Talmasky concluem que: “define-se a engenharia simultânea como simples idéia de ter um grupo de trabalho sobre um sistema, num desenvolvimento total de atividades, tudo centrado no benefífio do consumidor”. Nessa definição, “o sistema traduz os parâmetros de projeto, produção e de suporte, todos integrados numa mesma unidade”. Considero, portanto esta técnica, onde o projeto do produto é o centro, ao que se acoplam diferentes disciplinas, para iniciar o trabalho simultâneo, incluindo todas as diferentes atividades que definem o produto.
Considerando não encontrarmos literatura integral nem legislação e que defina metodologia, concentramos nosso foco integrando excertos de um conjunto de conceitos individuais, buscando-se em outras áreas, como o “Marketing” e técnicas industriais como o QFD – Quality Function Deployment – o apoio para o atendimento de exigências da norma ISSO 9001 com o estabelecimento da gestão de todas as relações envolvidas no processo, sem no entanto deixar de considerar cada cliente e suas potencialidades para implementação dos processos, e especialmente, seu real interesse nessa implementação, avaliando que não se deva atribuir unicamente ao design ou ao designer do produto a árdua tarefa de implementação desse processo, mas como parte de uma abordagem que possa promover o enriquecimento profissional dos envolvidos no contexto da globalização.
Nessa abordagem ainda citamos PERUZZI, JAIME TOREAN, 1998, que planifica o surgimento do novo produto como uma consequência da inter-relação de dependência entre os setores de Marketing, Compras, Design e Engenharia.
Esse desdobramento da função de qualidade – QFD – parte das necessidades do consumidor, para convertê-las em parâmetros técnicos. Assim o QFD é uma ferramenta que consegue determinar a qualidade, não somente na fase do projeto conceitual, como também em fases posteriores: combinando necessidades do mercado com dimensionamento técnico, e análise da concorrência, no conceito de HAUSER & CLAUSING, 1988, onde complemento ainda a dinâmica de produtividade.
Saliento que outro elemento importante no desenvolvimento do projeto de produto, são os suportes informáticos, que em considerando o nível tecnológico dos clientes, que na sua grande maioria são empresas recém saídas da informalidade, torna-se obsoleto na fase de complementaçnao de novos produtos. Reserva-se esta fase para uma segunda etapa ou ainda adiante, pois há considerações levantadas sobre o assunto, tais como a inexistência de equipamentos de comando numérico, política de custos, metodologia gerencial, administrativa e financeira, estas mais urgentes, no conceito dos próprios clientes, do que uma metodologia científica sobre a questão do design.
Mesmo assim, para aquels empresas que já se qualificaram, a CIM (Computer Integrated Manufacturing), segundo KAMINSKI, 2000 permite uma instantânea e compreensível troca de informações, devido ao fato de todos os níveis de atuação trabalharem sob os mesmos códigos representativos de informação. A implementação do CIM implica a utilização de diversas tecnologias baseadas na informática, tais como:
CAD – Computer Aided Design; CAE – Computed-Aided Enginering; CAM – Computer-Aided Manufacturing; CAT – Computer-Aided Testing; CNC – Computer Numerical Control; FMS – Flexible Manufacturing System; MRP – Material, Requiremente Planning; Robótica; Inteligência Artificial e Prototipagem Rápida.
Para a área de desenvolvimento de produtos, são utilizadas as tecnologias CAD e CAE, e mais recentemente, a Prototipagem Rápida, embora ainda não tenhamos utilizado estes serviços, pelo tipo de trabalho desenvolvido e nível informal dos clientes, e pela agilidade das operações em chão-de-fábrica, por considerarmos esta forma mais adequada no momento aos nossos clientes.
O CAE, engenharia assistida por computador, também não temos utilizado, pelo já descrito acima, e principalmente por trabalharmos mais com produtos de madeira convencionais, de tecnologia já conhecida, sendo desnecessária sua utilização.
Mais adiante colocaremos os passos de trabalho em que serão utilizados recursos de CNC.

2 - Gestão da Qualidade no Projeto do Produto Moveleiro

Os componentes na gestão de projetos moveleiros devem contemplar a perspectiva de integração máxima, onde cada setor entende e incorpora às suas estratégias a necessidade de atuar como parte de um sistema abrindo mão muitas vezes de necessidades individuais em benefício do todo, não sem que se tome por princípio o respeito à individualidade de cada empresa e em cumprimento às suas necessidades, cujo objetivo deve ser contemplado na elaboração de cada proposta.
Num segundo sentido trata-se de modificar o modelo tradicional de desenvolvimento do processo de produção da industria moveleira para um novo modelo de produção com menor numero de etapas, maior variabilidade de resultados, maior flexibilidade e transparência em todas as fases.
A norma NBR ISSO 9001(ABNT, 2000) estabelece os elementos do sistema de gestõ da qualidade envolvendo o projeto do produto, através dos requisitos para o “Controle de Projeto”, composto dos seguintes elementos: planejamento de projeto e de desenvolvimento, interface técnicas e organizacionais, entrada de projeto e alterações de projetos”. Os demais ítens do sistema de qualidade e previstos pela norma interagem com o projeto, como controle de documentos e dados.
2.1 – A Qualidade do Processo de Elaboração do projeto
Os procedimentos constituintes do sistema de gestão da qualidade no processo podem ser descritos como:
- Identificação e estabelecimento do fluxo de atividades de cada processo constituinte da elaboração do projeto.
- Estabelecimento do fluxo geral de projeto com todas as relações de interface e definição dos momentos de tomadas de decisão e concepçåo conjuntas;
- Definição das funções de coordenação de projeto e comunicação envolvidos; procedimentos de convocação e coordenação de reuniões; registro de decisões adotadas pelos projetistas em comum acordo com a diretoria; procedimentos de elaboração de cronograma de projetos, mapa de acompanhamento de projetos.
2.2 – A Qualidade da Solução do Projeto
- A qualidade da solução refere-se ao conjunto resultante :
- Da con cepção formal-funcional levando-se em conta os valores socio-culturais e de desempenho técnico econômico.
- Da concepção estética e simbólica que esteja ligada ao ato criativo (semiótica), mas também aos valores culturais do ambiente em que o produto está se inserindo,
- Das especificações técnicas do ponto de vista de comportamento sob todas condições de uso ao longo da vida útil, respeitando-se inclusive as relações econômicas entre custos iniciais e custo ao longo da vida útil ao produto.
- Das relações queo o projeto determina entre as atividades necessárias para a produção que determinam a produtividade a ser atingida no processo de trabalho e por conseqüência dos custos de execução.
- Os procedimentos constituem o sistema de gestão da qualidade do projeto quanto à qualidade da solução são:
- Metodologia de levantamento de necessidades dos clientes internos e externos.
- Parâmetros padronizados relativos a cada projeto e respectivas interfaces: consistem de definições prévias de projeto de padronização, incluindo detalhes (Know-how da empresa). Neste fator é importante considerar o que define o artigo17.1 da NR-17 quando se refer à implementaçnao de parâmetros:” A palavra parâmetros criou uma falsa expectativa de que seriam fornecidos valores precisos, normatizando toda e qualquer situação de trabalho. Apenas para a entrada eletrônica de dados, é que hea referência a numeros precisos.”
- Embora essa definiçnao normatica estabeleça fundamentalmente a qualificaçnao do trabalho em sim, o conceito é amplo e não deve ser desconsiderado enquanto delineador de caminhos para o desenvolvimentos de nosos produtos para utilização e conforto do ser humano.
- Das especificações que definem as características psicofiológicas inerentes ao uso coletivo ou individual referentes à adequação do produto ao homem (antropológico). Se a ergonomia se distingue pela sua característica de busca da adaptação das condições do trabalho ao homem (aqui podemos definir trabalho por uso do mobiliário, enquanto elementos de uso plural em suas finalidades, como a cadeira, mesa, bancada de computador, carteira escolar, etc), aprimeira pergunta a se colocar é: quem é este ou quem snao estes seres humanos a quem vou projetar este móvel? Evidentemente, todo o conhecimento antropológico, psicológico, fisiológico, de arte, história, semiótica, etc, está aí incluído, e não podemos fazer uma listagem completa de todas estas características. Ainda nnao se tem conhecimento acabado sobre o homem. Mas todas as aquisições dos diversos ramos do conhecimento devem ser utilizadas na melhoria das condições de trabalho e criação dos produtos, considerando que o objetivo final serea sempre o ser humano.
- A mesma NR-17 define em suas especificações sobre as condições de ajustabilidade do mobiliário de trabalho, mas que aqui devem também ser consideradas, que o produto deva atender a 95% da população. Nesse caso, considerando as parcas fontes de regulamentação do biotipo regional, e verificando que os produtos encontrados no mercado brasileiro sejam na sua maioria cópias imperfeitas do mobiliário clássico, ou mesmo contemporâneo, as dimensões são aquelas determinadas pelo produto original de procedência em geral européia, ou norteamericana, e isso faz com que, semelhantemente a produção e as normativas do mercado de matérias primas tais como painéis, cortes de madeira e outros ainda sejam mesurados em polegadas, provenientes do sistema métrico inglês, cujo norteia os parâmetros métricos inernacionais fundamentados no biotipo antropomórfico caucasiano, cujas origens aindam remontam o império romano, onde as ruas deviam ter a largura proporcional ao cavalo de César, e a polegada, o compimento do polegar do rei, qual, ninguém mais sabe.
- Ainda hoje a arquitetura se baseia nos padrôes de Le Corbusier, compilados por E. Neufert após a segunda guerra, para estandartização dos ambientes. Portanto, seria um debate interminável buscar qualificar padrões exatos para produtos cujos ocupantes são variáveis.
- O entendimento das questões relacionadas com os aspectos construtivos e de utilização dos objetos deve ter continuidade através da experimentação e simulação de modelos funcionais. A compreensão dos princípios de estrutura relativa à adequação dos materiais e sua transformação, será efetuada também através da análise de formas e tipologias semelhantes interpretadas em tecnologias de materiais distintos. A conclusão deste percurso, irá incidir na análise dos setores industriais da produção do mobiliário doméstico ou comercial.
- Esta metodologia é completada ao longo de seu percurso, com a prática das representações rigorosas renderizadas livremente de forma convencional (poderá ser digital) inerentes ao projeto e sua comunicação.
-
2.3 – A Qualidade da Apresentação do Projeto
Trata-se da apresentação adequada para fazer com que as decisões relativas às características do produto não sejam tomadas apenas na fase de elaboração do projeto retirando-se decisões improvisadas no chão-de-fábrica, devendo-se definir:
- Os padrões de apresentação gráfica de todos os documentos
- Os padrões de integração de sistemas informatizado.
- Os padrões de apresentação de especificações técnicas considerando os momentos e graus de detalhamento e segundo os momentos em que as mesmas ocorrem: na elaboração do projeto; procedimento de qualificação de fornecedores e compras.
- Os padrões de apresentação dos memoriais técnico e dos memoriais de vendas assegurando o emprego dos produtos em conformidade às normas técnicas.
Como parte do sistema de gestão da qualidade que envolve a elaboração do projeto ainda deve-se destacar a elaboração de metodologia de avaliação da satisfação dos clientes.

(Fontes: A Gestão da Qualidade do desenvolvimento dos Produtos Moveleiros, Prf. Eduardo Miguel Talmasky, Dr. Engº - UDESC; Oficina de Design Mobiliário – Min. Educação, Portugal – Profs. Paulo Parra, José Viana e Raúl Cunca; NR-17 – Manual de Aplicação – Min. Trabalho, Brasil, 1994. – Conceitos de livre interpretação dos citados autores, com acréscimos do Designer).


Natureza do Design

Considerando ser o design, na definição de RENATO HANSEN, : “um poderoso instrumento na diferenciação de seus produtos e na conquista de mercados….que consiste no desenvolvimento de novos produtos ou redesenho de produtos existentes, levando em consideração aspectos como: custo, forma, materiais empregados, processo de fabricação, estética, ergonomia, segurança entre outros”, e também considerando, no caso específico, o paradoxo da busca da vocação mercadológica, aliado ao Marketing expontâneo do assim denominado “ Estilo Gramado”, ou “Estilo de Gramado”, entendemos a necessidade da aplicação dos conceitos resultantes do experimento com a teoria acadêmica. O fator empírico que norteia o atual estágio da indústria situada na Região das Hortênsias do Rio Grande do Sul se auto-define como “autóctone” no sentido figurativo de um conceito mercadológico nato resultante das características climáticas, de colonização, topográficas, culturais, mercadológicas e ambientais do lugar.
Em se considerando num breviário histórico a partir de 1967, quando do surgimento de um pequeno atelier individual, passando a um núcleo de artesãos e daí a definição de um estilo que, mesmo em constantes metamorfoses, fixou-se no cenário nacional e hoje internacional como um adjetivo a um produto, tal como ocorre em gentílicos de vinhos e espumantes ou outros similares, deve-se considerar esta característica única no setor, no Brasil, e proporcionar ajustes que permitam o enlace entre a demanda global de tecnologia, e a identidade de um produto de origem.




3 – Projeto Gramado 2003 – Passos de fundamentação dos produtos criados

Como mencionei, por suas características diante do mercado brasileiro da indústria moveleira, Gramado tem uma representatividade quantitativa quase insignificate. Produz num parque industrial com ínfimas possibilidades de expansão em área construída, dada a topografia do município, condiçnoes de prioridades ecológicas aliadas ao turismo contemplativo e de eventos, torna-se inpensável propor crescimento de produção, exceto aquele proporcionado por ajustes tecnológicos e compactação de lay-out numa tentativa de acomodação dos equipamentos existentes ao parque construído.
De outro lado, a necessidade de qualificação dos produtos para maior rentabilidade, e sendo impossível a expansão de chão-de-fábrica, se faz necessário agregar valor aos produtos ora oferecidos, seja com nova modelagem ajustada aos padrões de exigência do consumidor, seja qualificando os produtos exsistentes e agregando possibilidades de torná-los competitivos pelo visual e principalmente pela qualidade. Esta é a sílaba tônica do que propusemos fazer em nosso trabalho para um grupo de 19 empresas que reúnem o qulificativo de pertencerem a uma vanguarda local, inspirando uma liderança silenciosa, mas efetiva sobre tudo o que faz, sendo observada, seguida e até copiada em etapas de ajuste da aceitação do mercado.

Aplicação das metodologias mencionadas neste documento. Utilizar ou não?

Embora ofereça subsídio para os melhores eventos produtivos, o material descrito é um compêndio de pesquisas, excertos de opiniões registradas por eminentes teóricos e balizados profissionais do setor, mas entendemos que a falta de água pode matar pela sede, e o excesso dela, por afogamento.
Uma sociedade produtiva que faz malabarismo para se suster entre a natureza que encanta e o mercado que clama, deve ser tratada com delicadeza e parcialidade. Embora a globalização venha rugindo de forma incontrolável, e com isso exigindo uma padronização absoluta de métodos e processos, somos por vezes forçados a lembrar que o ser humano ainda é o objetivo de qualquer ação proposta pelos meios de produção. Do homem para o homem, tendo o homem como alvo, método, instrumento e origem.
Considerando que a indústria operante em Gramado e Canela advém de uma feliz associação entre o atesanato e o turismo (um geralmente leva o outro à ação), imaginar em implantar métodos e processos que possam servir em outros pólos produtivos, caracterizaria uma agressão tão violenta ao espírito criativo deste núcleo, que poderia vir a barrar futuras ações necessárias e viáveis, porque mesmo que se altere o curso de um rio, ele continuará a ser um rio. Mesmo que poluamos seu leito e invadamos suas margens, continuará a ser um rio.
Nossa experiência em Gramado nos mostra que Gramado não deseja mudar. Mais tecnologia, sim. Mais empregos, e melhores ganhos, sim. Desumanizar e descaracterizar sua industria, não.


Como conciliar crescimento, tecnologia e artesanato?
Em primeiro lugar, sem impor condições, tecnologia ou produtos que a comunidade nnao quer. O avanço deve ser gradual e até mesmo lento, seguro e eficiente. Naturalmente há empresários que desejariam poder competir com outros pólos produtivos, mas com seus próprios produtos, pis estes produtos representam a identidade comercial que os fez chegar onde chegaram. Alguns até mesmo podem utilizar estes recursos, e há ainda os que já os utilizam. Mas não é esta a realidade da grande maioria, que ainda produz móveis sob medida, da mesma forma que se produzia há vinte anos atrás. Mudaram os modelos, alguns materiais, os componentes, os produtos de acabamento, a forma de montagem e usinagem. Mas o que não mudou foi o conceito do mercado em relação aos produtos com a “marca Gramado”. Mesmo os estilos já mudaram quatro vezes, mas o mercado não percebeu, porque define “Gramado” (estilo) como um estilo de vida. Um status conquistado. Um sonho realizado ou por realizar.
E isto tudo, porque a geografia e a topografia do lugar não permitem construão de grandes pavilhões para massificar a produção do mobiliário.
Gramado é uma “boutique” no que tange à decoração, mas é uma “boutique” acessível a diversas camadas de consumo, entre os consumidores dos padrões que vão de “A” a “D”. E não deve ser mudada.
Compreender este tipo de cliente torna-se quase um segredo, a partir de um aprendizado que só pode ser vivenciado quando o agente (designer) se tornar cúmplice de seus clientes, ao ponto de interpretar não apenas a vontade e o tipo de produto a serem desenvolvidos, mas a natureza do “modus vivendi”, e “modus operandi” de seus consulentes.
Desta forma optamos por realizar um trabalho que pode diferir dos padrões que citamos, não por desconhecermos estes padrões, mas por julgarmos inteiramente desnecessários, inexpressivos e obsoletos no ambiente que por mais tempo permanecemos: o chão-de-fábrica.

Confiabilidade no Profissional

Nossa vivência com diversos tipos de industrias e clientes nos levou a desenvolver nossos trabalhos com mais horas de chão-de-fábrica e menos horas de estúdio, embora tenhamos a necessidade do silêncio da pesquisa e do projeto em si. Mas entendemos que, por mais detalhado que seja o projeto, mais clara a renderização, nossa presença tomando decisões junto aos prototipistas e com a direção das fábricas é o fator fundamental para a agilização dos processos e qualidade dos produtos criados.
Alterações, acréscimos ou substituições são definidas “in loco”, e num curto período, e com menor desperdício de tempo e materiais, tornando realidade as peças que tínhamos imaginado, e ainda nesta proximidade, tomamos as decisões com co-participação de todos os profissionais que atuarão diretamente na industrialização do produto.
Nossos protótipos são desenvolvidos no próprio ambiente de fabricação, e com a fiscalização dos funcionários, gerentes, diretores, e em muitos casos, pelos lojistas e representantes. Não fazemos mistério dos novos produtos, pois entendemos que todas as pessoas que participam de uma familia produtiva têm responsabilidades e a eles se deve confiabilidade, e suas opiniões, por mais singelas que pareçam podem fazer a diferença entre um bom ou mau produto. Muitos problemas são detectados pelos próprios funcionários envolvidos na fabricação. Muitas dificuldades de produção são apontadas pelas pessoas que operam as máquinas, procedem a montagem ou providenciam o embarque dos produtos. Desta forma, o processo é democrático e participativo, independente do tamanho da indústria ou do número de empregos que oferece. Todos são apontados como merecedores pelo sucesso, ou cúmplices pelo fracasso de um produto que não saia da indústria com o melhor da qualidade que possam oferecer.

Identificação do mercado consumidor – Quem define isso: O Designer ou o cliente?

Há casos e casos. Vejamos alguns.
1 – Cliente inseguro: Procura o profissional e relata que precisa criar produtos novos para agregar valor aos seus produtos. Mas os novos modêlos devem obedecer ao seu processo produtivo. Não sabe o que quer, mas aponta esta direção.
Nossa atitude, naturalmente após o diagnóstico de sua empresa, recursos, fornecedores, produtividade, “know-how”, clientes ativos, etc, identificamos nos seus produtos possíveis melhorias, e a partir de seu processo em atividade, tracamos alternativas.
2 – Cliente inovador: Nos procura com a firme intenção de mudar completamente de estilo e sistema de produçnao. Snao raríssimos, mas existem e já atendi alguns com esta característica. Nesse caso buscamos identificar as razões de sua mudança tão radical e suas consequências no mercado comprador. Em geral são clientes que tiveram lgum tipo de problema com a comercialização ou marca da empresa, que mudam totalmente de identidade. A começar pelos produtos, passando pelo nome da empresa, representantes, etc.
3 – Cliente cauteloso – Cliente conservador: Não pode ser confundido com o cliente inseguro. Enquanto o primeiro busca agregar valor ao que jea produz, o úlimo apenas propõe acréscimos à sua linha, ou muito cautelosamente aceita uma nova linha, sem mudanças significativas, que possam complementar seu catealogo e garantir mais espaço nas vitrines de seus clientes.
4 – Cliente vanguardista: Este quer estar à frente de seu tempo, seus concorrentes, seus clientes e não tem medo de inovar. Este costuma ser o cliente mais arrojado e o que aceitas idéias novas com mais facilidade. Mas pode ser aquele que pode facilmente derrubar um designer, se este profissional não tiver maturidade sificiente para absorver e manter o necesseario equilíbrio diante de tantas portas se abrindo. Frear os ímpetos de criar por criar, de fazer do produto um objeto de arte para consursos ´ a grande tentaçnao do designer. Manter a calma é o caminho seguro a tomar.
De minha parte, optei por não vencer concursos, dos quais recuso-me terminantemente a participar. Optei por vencer o mercado. É um desafio maior e garante mais emprego aos meus clientes.


Pacard Designer
Maio de 2003

terça-feira, março 18, 2003

Hoje eu chorei
(Reflexões sobre depois de amanhã, quando a guerra iniciar)
Pacard
Sou um homem de 45 anos de idade. Em outras circunstâncias, diria eu, “bem vividos”. Minha definição sobre minha personalidade tange para: debochado, irônico, sarcástico, brincalhão, gosto de explorar o tirocínio e me divirto deslizando pelas palavras no cáustico exercício da retórica, sempre que a oportunidade me permite esta iguaria da razão.
Mas hoje eu chorei. Não sou emotivo, sou bastante frio, na verdade. Pelo menos na minha aparência sizuda. Não manifesto minha emoção chorando. Isso me causa muita dor nas vezes em que sofro sem conseguir (ou desejar) chorar. Dor física. Dor nas costas, dor nas mãos, dor no peito.
Mas hoje eu chorei. Meu dia foi pesado. Deu tudo certo. Consegui fazer tudo o que me propus fazer. Despachei todos os documentos que a fria burocracia em busca de dinheiro me obriga a despachar. Todos os contratos foram devidamente preenchidos e assinados. Está tudo certo. Mas eu chorei.
Chorei quando pensei na guerra tão próxima. Chorei quando pensei que a humanidade se defrontou consigo mesma numa muralha de vidro fino, fraco e transparente. Tão transparente, tão fino e tão fraco que se estilhaçou em incontáveis cacos diante da arrogância de dois ditadores que mentem em nome de Deus. Que anunciam calamidades em nome do povo. Que inebriam o povo em nome da segurança. Que espalham a morte em nome da vida.
Chorei ao ver a demonstração de força de dois loucos que não conhecem a palavra “perdão”. Chorei ao ouvir os sons de bombas fazendo coro ao choro dos pequeninos que certamente irão perder seus pais; dos pais que perderão seus pequeninos; de mães que chorarão seus filhos; de filhos que nunca mais verão as suas mães; de pais não mais terão braços para filhos embalar, e nem filhos para afagr em seus braços.
Eu hoje chorei, como chora um homem, ao saber que em nome do “orgulho nacional” o céu cairá sobre as casas sob a forma de aviões e a noite se iluminará sob o estrondo de bombas.
Chorei em nome de todos os que não poderão chorar, pois só se chora vivo. Não tive medo de que alguma bomba perdida venha cair no quintal de minha casa e destruir meu jardim, mas chorei porque vi dois loucos que nunca plantaram um jardim para ocupar-se nos dias de amargura, mas semearão sangue suficiente para regar tantos jardins, que dois homens somente jamais serãs capazes de plantar neles sequer uma única flor.
Chorei pelos velhos e pelas velhas, cujas tetas secas buscarão os lábios mortos de seus meninos para regar-lhes vida, mas em vão encontrarão pedaços de mãos e braços segurando pó.
Chorei sozinho a ver meu filho menino brincar de herói, e sei que chorei pelos meninos que não serão heróis, porque todo herói precisa morrer por uma causa nobre, e só pode morrer que uma vez viveu. E eles não terão tempo para isso, pois a guerra os quer do jeito que estão para tragar seus corpos, devorar sua carne e beber seu sangue.
A guerra é um demônio cruel e sangüinário, que devora virgens, velhos, moços, pobres, ricos, pretos, pardos, dourados, amarelos e sonhadores. Devora campos de trigo e incendeia casas. E tudo isso faz em nome da paz.
Eu hoje chorei. E orei pela paz.

domingo, março 09, 2003

650 novos produtos em 2003
Tou taooo feliiiiz!
Agora já sao 20 empresas (18 de Gramado e 2 de Canela).
Isso dá 650 novos produtos em lançamento em 2003.
E tudo isso com o grande apoio do SEBRAE, da UCS, do SINDIMOBIL, dos EMPRESARIOS, e com o aval de DEUS.
Obrigado a todos.

segunda-feira, fevereiro 17, 2003

VIM, VI E VENCI




Paulo Cardoso


Pelo teor da exclamação, alguém um dia duvidou da capacidade de Julio César em conquistar o Egito. E não é de admirar, pois a fama da raínha dos papiros, Cleópatra (que muitos pensam chamar-se Elisabeth Taylor) era infernal. Papava todos e não poupava ninguém. De César a Marco Antônio, iam e lá rebolavam todos na frente dela, entre meia dúzia de pítons e crocodilos, enquanto ela repetia: “baba, bobo, baba”.
Mas César venceu e mandou um recado ao senado de Roma: Viram? Voces diziam que eu não vinha. Pois vim. Diziam que se aqui chegasse, não teria nada de bom para ver. Pois vi e gostei. E se visse algo que prestasse, era demais pro meu bico. Pois ganhei a gata. Venci. E prontamente mostrou meio palmo de língua e fez aquele barulho caracrerístico de quem debocha, tremulando a língua entre os lábios:” Blrlrrlrrrrpt”.
Lembram do que eu disse sobre as mudanças de Gramado, sua qualidade, seu design, seus produtos, sua variedade, etc e etecetera (leia-se revista “Móveis de Valor” ano 2, nº 19, págs. 42 e 43)? Pois eu não menti. As feiras aconteceram e consolidaram Gramado como o novo centro de design classe “A” do Brasil (embora um dia a gente ainda possa discutir sobre a classe do design, porque particularmente eu acho que design é design. Só mudam o material, fabricante e preço dos produtos, além da qualidade, é claro).
O “Salão do Móvel Brasil” já está firmado como a “pole position” desde que surgiu. O top da América Latina habita em Gramado durante quatro dias no mês de fevereiro. E agora a irmãzinha menor, mas nem por isso mais feia, desabrocha mostrando que Gramado é uma eterna primavera. A “Gramado Móvel Show” tirou da obscuridade pequeninas empresas que provaram ser capazes de quebrar paradigmas e acreditar em si mesmas e na união pela qualificação de seus produtos. E todos venderam, e venderam muito. E venderão muito mais. E mais comprarão aqueles que aqui vieram e viram que tudo o que eu disse só faltava isso para ser comprovado. Quem viesse, veria, isso eu falei. Quem veio viu e voltará.