Ói só o chique:
Meus trabalhos foram selecionados para um CASE NACIONAL SEBRAE. Viu só! Agora sou NOTÁVEL no úrtimo...
quinta-feira, março 11, 2004
quarta-feira, março 10, 2004
Antes e depois
Efetivamente eu não menti. Ano passado as revistas Toque de Classe e Móveis de Valor tiveram a bondade de publicar um palpite meu a respeito do resultado das feiras de Gramado, especialmente a Gramado Móvel Show, no que se refere ao “estilo de Gramado” em seu prolífico mobiliário. Disse que ia mudar e mudou. Disse que isso se tornaria num movimento, numa avalanche. Se tornou. Disse, ao curso de 2003 que meu atelier estaria disponibilizando ao mercado cerca de 650 novos produtos. E aconteceu. Nem todos, naturalmente foram para a feira, mas uma significativa mostra deles foi. E fez rumor. Foi dado início ao processo de upgrade do móvel de Gramado (que por sinal, tem candidato a dono essa marca, e logo ameaça avalanchar de processos os que se beneficiam disso. Uma empresa de Blumenau está tentando efetivar o registro da marca “Móveis de Gramado” processo nº 816134901 no INPI), seja lá o que isso quer dizer, ou que estilo tenha até hoje.
Quem visitou a Gramado Móvel Show pôde comprovar que o nível alcançado pelas fábricas que lá estiveram é tão capaz de competir com design e qualidade quanto o de qualquer outro pólo no Brasil. Passou o tempo em que Gramado era um aglomerado de pequeninas marcenarias dispostas e fazer de tudo para mobiliar os sonhos dos consumidores. Chegaram mais longe: ainda fazem isso, mas com muito mais qualidade e o mais importante de todos os detalhes: com design próprio.
Gramado está sendo transformada de um nucleo de mão de obra marceneira para um centro formador de design. E um centro completo. Novos profissionais estão surgindo. Novas idéias necessitam materializar-se. Nosvos elementos se fundem e começa a surgir uma nova face de Gramado: centro formador de expressão em design de produto.
Bem verdade que está mudando: a tecnologia está mudando; os materias estão mudando, as madeiras não são mais as mesmas, mas uma coisa ainda deve permanecer: a alma de Gramado. A eseência do verde, o sabor do frio, o cheiro de primavera e toda a poesia do entardecer. Isso tudo vai ficar. E quem sai ganhando sempre é o consumidor. E es escolas de arquitetura que precisam rever em seu dicionário a definição do “Estilo de Gramado”.
*Pacard
Efetivamente eu não menti. Ano passado as revistas Toque de Classe e Móveis de Valor tiveram a bondade de publicar um palpite meu a respeito do resultado das feiras de Gramado, especialmente a Gramado Móvel Show, no que se refere ao “estilo de Gramado” em seu prolífico mobiliário. Disse que ia mudar e mudou. Disse que isso se tornaria num movimento, numa avalanche. Se tornou. Disse, ao curso de 2003 que meu atelier estaria disponibilizando ao mercado cerca de 650 novos produtos. E aconteceu. Nem todos, naturalmente foram para a feira, mas uma significativa mostra deles foi. E fez rumor. Foi dado início ao processo de upgrade do móvel de Gramado (que por sinal, tem candidato a dono essa marca, e logo ameaça avalanchar de processos os que se beneficiam disso. Uma empresa de Blumenau está tentando efetivar o registro da marca “Móveis de Gramado” processo nº 816134901 no INPI), seja lá o que isso quer dizer, ou que estilo tenha até hoje.
Quem visitou a Gramado Móvel Show pôde comprovar que o nível alcançado pelas fábricas que lá estiveram é tão capaz de competir com design e qualidade quanto o de qualquer outro pólo no Brasil. Passou o tempo em que Gramado era um aglomerado de pequeninas marcenarias dispostas e fazer de tudo para mobiliar os sonhos dos consumidores. Chegaram mais longe: ainda fazem isso, mas com muito mais qualidade e o mais importante de todos os detalhes: com design próprio.
Gramado está sendo transformada de um nucleo de mão de obra marceneira para um centro formador de design. E um centro completo. Novos profissionais estão surgindo. Novas idéias necessitam materializar-se. Nosvos elementos se fundem e começa a surgir uma nova face de Gramado: centro formador de expressão em design de produto.
Bem verdade que está mudando: a tecnologia está mudando; os materias estão mudando, as madeiras não são mais as mesmas, mas uma coisa ainda deve permanecer: a alma de Gramado. A eseência do verde, o sabor do frio, o cheiro de primavera e toda a poesia do entardecer. Isso tudo vai ficar. E quem sai ganhando sempre é o consumidor. E es escolas de arquitetura que precisam rever em seu dicionário a definição do “Estilo de Gramado”.
*Pacard
quinta-feira, julho 31, 2003
A palavra mais frequente no meio do design é "Releitura". Para tudo se faz
uma releitura. Lavoisier, acho que foi o descobridor da releitura, quando
dizia que no mundo nada se cria, nada se perde: tudo se transforma. Isso
também acontece no mobiliário. E como acontece. A vantagem e o que torna
possivel as releituras é a inovação dos materiais. Então se pode tratar o
novo com a cara do velho, e dar ao que é velho a disciplina das formas,
cores, texturas e materiais do que pode ser mais novo ainda. E assim caminha
a humanidade.
E o que é novo hoje? Ou melhor, o que vai ser novo amanhã?
uma releitura. Lavoisier, acho que foi o descobridor da releitura, quando
dizia que no mundo nada se cria, nada se perde: tudo se transforma. Isso
também acontece no mobiliário. E como acontece. A vantagem e o que torna
possivel as releituras é a inovação dos materiais. Então se pode tratar o
novo com a cara do velho, e dar ao que é velho a disciplina das formas,
cores, texturas e materiais do que pode ser mais novo ainda. E assim caminha
a humanidade.
E o que é novo hoje? Ou melhor, o que vai ser novo amanhã?
segunda-feira, maio 12, 2003
PACARD -
Furniture design
Estrutura Medotológica
para
Desenvolvimento de Novos Produtos
1 - Resumo
O trabalho propõe uma metodologia de abordagem na gestão de projetos no desenvolvimento de produtos moveleiros, tendo como base teórica normativas de segurança do trabalho (NR-17), publicações técnicas do meio científico e opiniões de profissionais que atuam no segmento através de instituições envolvidas no processo, tais como:
UDESC (Prof. Eduardo Miguel Talmasky, Dr. Engº); SENAI-CETEMO/ UCS (Renato Hansen, Coord. De Curso de Tecnologia de Produção Moveleira; Kaminski, 2000, no qualitativo do desenvolvimento do projeto em si; Favero e Castro Casaroto, citados por Talmasky concluem que: “define-se a engenharia simultânea como simples idéia de ter um grupo de trabalho sobre um sistema, num desenvolvimento total de atividades, tudo centrado no benefífio do consumidor”. Nessa definição, “o sistema traduz os parâmetros de projeto, produção e de suporte, todos integrados numa mesma unidade”. Considero, portanto esta técnica, onde o projeto do produto é o centro, ao que se acoplam diferentes disciplinas, para iniciar o trabalho simultâneo, incluindo todas as diferentes atividades que definem o produto.
Considerando não encontrarmos literatura integral nem legislação e que defina metodologia, concentramos nosso foco integrando excertos de um conjunto de conceitos individuais, buscando-se em outras áreas, como o “Marketing” e técnicas industriais como o QFD – Quality Function Deployment – o apoio para o atendimento de exigências da norma ISSO 9001 com o estabelecimento da gestão de todas as relações envolvidas no processo, sem no entanto deixar de considerar cada cliente e suas potencialidades para implementação dos processos, e especialmente, seu real interesse nessa implementação, avaliando que não se deva atribuir unicamente ao design ou ao designer do produto a árdua tarefa de implementação desse processo, mas como parte de uma abordagem que possa promover o enriquecimento profissional dos envolvidos no contexto da globalização.
Nessa abordagem ainda citamos PERUZZI, JAIME TOREAN, 1998, que planifica o surgimento do novo produto como uma consequência da inter-relação de dependência entre os setores de Marketing, Compras, Design e Engenharia.
Esse desdobramento da função de qualidade – QFD – parte das necessidades do consumidor, para convertê-las em parâmetros técnicos. Assim o QFD é uma ferramenta que consegue determinar a qualidade, não somente na fase do projeto conceitual, como também em fases posteriores: combinando necessidades do mercado com dimensionamento técnico, e análise da concorrência, no conceito de HAUSER & CLAUSING, 1988, onde complemento ainda a dinâmica de produtividade.
Saliento que outro elemento importante no desenvolvimento do projeto de produto, são os suportes informáticos, que em considerando o nível tecnológico dos clientes, que na sua grande maioria são empresas recém saídas da informalidade, torna-se obsoleto na fase de complementaçnao de novos produtos. Reserva-se esta fase para uma segunda etapa ou ainda adiante, pois há considerações levantadas sobre o assunto, tais como a inexistência de equipamentos de comando numérico, política de custos, metodologia gerencial, administrativa e financeira, estas mais urgentes, no conceito dos próprios clientes, do que uma metodologia científica sobre a questão do design.
Mesmo assim, para aquels empresas que já se qualificaram, a CIM (Computer Integrated Manufacturing), segundo KAMINSKI, 2000 permite uma instantânea e compreensível troca de informações, devido ao fato de todos os níveis de atuação trabalharem sob os mesmos códigos representativos de informação. A implementação do CIM implica a utilização de diversas tecnologias baseadas na informática, tais como:
CAD – Computer Aided Design; CAE – Computed-Aided Enginering; CAM – Computer-Aided Manufacturing; CAT – Computer-Aided Testing; CNC – Computer Numerical Control; FMS – Flexible Manufacturing System; MRP – Material, Requiremente Planning; Robótica; Inteligência Artificial e Prototipagem Rápida.
Para a área de desenvolvimento de produtos, são utilizadas as tecnologias CAD e CAE, e mais recentemente, a Prototipagem Rápida, embora ainda não tenhamos utilizado estes serviços, pelo tipo de trabalho desenvolvido e nível informal dos clientes, e pela agilidade das operações em chão-de-fábrica, por considerarmos esta forma mais adequada no momento aos nossos clientes.
O CAE, engenharia assistida por computador, também não temos utilizado, pelo já descrito acima, e principalmente por trabalharmos mais com produtos de madeira convencionais, de tecnologia já conhecida, sendo desnecessária sua utilização.
Mais adiante colocaremos os passos de trabalho em que serão utilizados recursos de CNC.
2 - Gestão da Qualidade no Projeto do Produto Moveleiro
Os componentes na gestão de projetos moveleiros devem contemplar a perspectiva de integração máxima, onde cada setor entende e incorpora às suas estratégias a necessidade de atuar como parte de um sistema abrindo mão muitas vezes de necessidades individuais em benefício do todo, não sem que se tome por princípio o respeito à individualidade de cada empresa e em cumprimento às suas necessidades, cujo objetivo deve ser contemplado na elaboração de cada proposta.
Num segundo sentido trata-se de modificar o modelo tradicional de desenvolvimento do processo de produção da industria moveleira para um novo modelo de produção com menor numero de etapas, maior variabilidade de resultados, maior flexibilidade e transparência em todas as fases.
A norma NBR ISSO 9001(ABNT, 2000) estabelece os elementos do sistema de gestõ da qualidade envolvendo o projeto do produto, através dos requisitos para o “Controle de Projeto”, composto dos seguintes elementos: planejamento de projeto e de desenvolvimento, interface técnicas e organizacionais, entrada de projeto e alterações de projetos”. Os demais ítens do sistema de qualidade e previstos pela norma interagem com o projeto, como controle de documentos e dados.
2.1 – A Qualidade do Processo de Elaboração do projeto
Os procedimentos constituintes do sistema de gestão da qualidade no processo podem ser descritos como:
- Identificação e estabelecimento do fluxo de atividades de cada processo constituinte da elaboração do projeto.
- Estabelecimento do fluxo geral de projeto com todas as relações de interface e definição dos momentos de tomadas de decisão e concepçåo conjuntas;
- Definição das funções de coordenação de projeto e comunicação envolvidos; procedimentos de convocação e coordenação de reuniões; registro de decisões adotadas pelos projetistas em comum acordo com a diretoria; procedimentos de elaboração de cronograma de projetos, mapa de acompanhamento de projetos.
2.2 – A Qualidade da Solução do Projeto
- A qualidade da solução refere-se ao conjunto resultante :
- Da con cepção formal-funcional levando-se em conta os valores socio-culturais e de desempenho técnico econômico.
- Da concepção estética e simbólica que esteja ligada ao ato criativo (semiótica), mas também aos valores culturais do ambiente em que o produto está se inserindo,
- Das especificações técnicas do ponto de vista de comportamento sob todas condições de uso ao longo da vida útil, respeitando-se inclusive as relações econômicas entre custos iniciais e custo ao longo da vida útil ao produto.
- Das relações queo o projeto determina entre as atividades necessárias para a produção que determinam a produtividade a ser atingida no processo de trabalho e por conseqüência dos custos de execução.
- Os procedimentos constituem o sistema de gestão da qualidade do projeto quanto à qualidade da solução são:
- Metodologia de levantamento de necessidades dos clientes internos e externos.
- Parâmetros padronizados relativos a cada projeto e respectivas interfaces: consistem de definições prévias de projeto de padronização, incluindo detalhes (Know-how da empresa). Neste fator é importante considerar o que define o artigo17.1 da NR-17 quando se refer à implementaçnao de parâmetros:” A palavra parâmetros criou uma falsa expectativa de que seriam fornecidos valores precisos, normatizando toda e qualquer situação de trabalho. Apenas para a entrada eletrônica de dados, é que hea referência a numeros precisos.”
- Embora essa definiçnao normatica estabeleça fundamentalmente a qualificaçnao do trabalho em sim, o conceito é amplo e não deve ser desconsiderado enquanto delineador de caminhos para o desenvolvimentos de nosos produtos para utilização e conforto do ser humano.
- Das especificações que definem as características psicofiológicas inerentes ao uso coletivo ou individual referentes à adequação do produto ao homem (antropológico). Se a ergonomia se distingue pela sua característica de busca da adaptação das condições do trabalho ao homem (aqui podemos definir trabalho por uso do mobiliário, enquanto elementos de uso plural em suas finalidades, como a cadeira, mesa, bancada de computador, carteira escolar, etc), aprimeira pergunta a se colocar é: quem é este ou quem snao estes seres humanos a quem vou projetar este móvel? Evidentemente, todo o conhecimento antropológico, psicológico, fisiológico, de arte, história, semiótica, etc, está aí incluído, e não podemos fazer uma listagem completa de todas estas características. Ainda nnao se tem conhecimento acabado sobre o homem. Mas todas as aquisições dos diversos ramos do conhecimento devem ser utilizadas na melhoria das condições de trabalho e criação dos produtos, considerando que o objetivo final serea sempre o ser humano.
- A mesma NR-17 define em suas especificações sobre as condições de ajustabilidade do mobiliário de trabalho, mas que aqui devem também ser consideradas, que o produto deva atender a 95% da população. Nesse caso, considerando as parcas fontes de regulamentação do biotipo regional, e verificando que os produtos encontrados no mercado brasileiro sejam na sua maioria cópias imperfeitas do mobiliário clássico, ou mesmo contemporâneo, as dimensões são aquelas determinadas pelo produto original de procedência em geral européia, ou norteamericana, e isso faz com que, semelhantemente a produção e as normativas do mercado de matérias primas tais como painéis, cortes de madeira e outros ainda sejam mesurados em polegadas, provenientes do sistema métrico inglês, cujo norteia os parâmetros métricos inernacionais fundamentados no biotipo antropomórfico caucasiano, cujas origens aindam remontam o império romano, onde as ruas deviam ter a largura proporcional ao cavalo de César, e a polegada, o compimento do polegar do rei, qual, ninguém mais sabe.
- Ainda hoje a arquitetura se baseia nos padrôes de Le Corbusier, compilados por E. Neufert após a segunda guerra, para estandartização dos ambientes. Portanto, seria um debate interminável buscar qualificar padrões exatos para produtos cujos ocupantes são variáveis.
- O entendimento das questões relacionadas com os aspectos construtivos e de utilização dos objetos deve ter continuidade através da experimentação e simulação de modelos funcionais. A compreensão dos princípios de estrutura relativa à adequação dos materiais e sua transformação, será efetuada também através da análise de formas e tipologias semelhantes interpretadas em tecnologias de materiais distintos. A conclusão deste percurso, irá incidir na análise dos setores industriais da produção do mobiliário doméstico ou comercial.
- Esta metodologia é completada ao longo de seu percurso, com a prática das representações rigorosas renderizadas livremente de forma convencional (poderá ser digital) inerentes ao projeto e sua comunicação.
-
2.3 – A Qualidade da Apresentação do Projeto
Trata-se da apresentação adequada para fazer com que as decisões relativas às características do produto não sejam tomadas apenas na fase de elaboração do projeto retirando-se decisões improvisadas no chão-de-fábrica, devendo-se definir:
- Os padrões de apresentação gráfica de todos os documentos
- Os padrões de integração de sistemas informatizado.
- Os padrões de apresentação de especificações técnicas considerando os momentos e graus de detalhamento e segundo os momentos em que as mesmas ocorrem: na elaboração do projeto; procedimento de qualificação de fornecedores e compras.
- Os padrões de apresentação dos memoriais técnico e dos memoriais de vendas assegurando o emprego dos produtos em conformidade às normas técnicas.
Como parte do sistema de gestão da qualidade que envolve a elaboração do projeto ainda deve-se destacar a elaboração de metodologia de avaliação da satisfação dos clientes.
(Fontes: A Gestão da Qualidade do desenvolvimento dos Produtos Moveleiros, Prf. Eduardo Miguel Talmasky, Dr. Engº - UDESC; Oficina de Design Mobiliário – Min. Educação, Portugal – Profs. Paulo Parra, José Viana e Raúl Cunca; NR-17 – Manual de Aplicação – Min. Trabalho, Brasil, 1994. – Conceitos de livre interpretação dos citados autores, com acréscimos do Designer).
Natureza do Design
Considerando ser o design, na definição de RENATO HANSEN, : “um poderoso instrumento na diferenciação de seus produtos e na conquista de mercados….que consiste no desenvolvimento de novos produtos ou redesenho de produtos existentes, levando em consideração aspectos como: custo, forma, materiais empregados, processo de fabricação, estética, ergonomia, segurança entre outros”, e também considerando, no caso específico, o paradoxo da busca da vocação mercadológica, aliado ao Marketing expontâneo do assim denominado “ Estilo Gramado”, ou “Estilo de Gramado”, entendemos a necessidade da aplicação dos conceitos resultantes do experimento com a teoria acadêmica. O fator empírico que norteia o atual estágio da indústria situada na Região das Hortênsias do Rio Grande do Sul se auto-define como “autóctone” no sentido figurativo de um conceito mercadológico nato resultante das características climáticas, de colonização, topográficas, culturais, mercadológicas e ambientais do lugar.
Em se considerando num breviário histórico a partir de 1967, quando do surgimento de um pequeno atelier individual, passando a um núcleo de artesãos e daí a definição de um estilo que, mesmo em constantes metamorfoses, fixou-se no cenário nacional e hoje internacional como um adjetivo a um produto, tal como ocorre em gentílicos de vinhos e espumantes ou outros similares, deve-se considerar esta característica única no setor, no Brasil, e proporcionar ajustes que permitam o enlace entre a demanda global de tecnologia, e a identidade de um produto de origem.
3 – Projeto Gramado 2003 – Passos de fundamentação dos produtos criados
Como mencionei, por suas características diante do mercado brasileiro da indústria moveleira, Gramado tem uma representatividade quantitativa quase insignificate. Produz num parque industrial com ínfimas possibilidades de expansão em área construída, dada a topografia do município, condiçnoes de prioridades ecológicas aliadas ao turismo contemplativo e de eventos, torna-se inpensável propor crescimento de produção, exceto aquele proporcionado por ajustes tecnológicos e compactação de lay-out numa tentativa de acomodação dos equipamentos existentes ao parque construído.
De outro lado, a necessidade de qualificação dos produtos para maior rentabilidade, e sendo impossível a expansão de chão-de-fábrica, se faz necessário agregar valor aos produtos ora oferecidos, seja com nova modelagem ajustada aos padrões de exigência do consumidor, seja qualificando os produtos exsistentes e agregando possibilidades de torná-los competitivos pelo visual e principalmente pela qualidade. Esta é a sílaba tônica do que propusemos fazer em nosso trabalho para um grupo de 19 empresas que reúnem o qulificativo de pertencerem a uma vanguarda local, inspirando uma liderança silenciosa, mas efetiva sobre tudo o que faz, sendo observada, seguida e até copiada em etapas de ajuste da aceitação do mercado.
Aplicação das metodologias mencionadas neste documento. Utilizar ou não?
Embora ofereça subsídio para os melhores eventos produtivos, o material descrito é um compêndio de pesquisas, excertos de opiniões registradas por eminentes teóricos e balizados profissionais do setor, mas entendemos que a falta de água pode matar pela sede, e o excesso dela, por afogamento.
Uma sociedade produtiva que faz malabarismo para se suster entre a natureza que encanta e o mercado que clama, deve ser tratada com delicadeza e parcialidade. Embora a globalização venha rugindo de forma incontrolável, e com isso exigindo uma padronização absoluta de métodos e processos, somos por vezes forçados a lembrar que o ser humano ainda é o objetivo de qualquer ação proposta pelos meios de produção. Do homem para o homem, tendo o homem como alvo, método, instrumento e origem.
Considerando que a indústria operante em Gramado e Canela advém de uma feliz associação entre o atesanato e o turismo (um geralmente leva o outro à ação), imaginar em implantar métodos e processos que possam servir em outros pólos produtivos, caracterizaria uma agressão tão violenta ao espírito criativo deste núcleo, que poderia vir a barrar futuras ações necessárias e viáveis, porque mesmo que se altere o curso de um rio, ele continuará a ser um rio. Mesmo que poluamos seu leito e invadamos suas margens, continuará a ser um rio.
Nossa experiência em Gramado nos mostra que Gramado não deseja mudar. Mais tecnologia, sim. Mais empregos, e melhores ganhos, sim. Desumanizar e descaracterizar sua industria, não.
Como conciliar crescimento, tecnologia e artesanato?
Em primeiro lugar, sem impor condições, tecnologia ou produtos que a comunidade nnao quer. O avanço deve ser gradual e até mesmo lento, seguro e eficiente. Naturalmente há empresários que desejariam poder competir com outros pólos produtivos, mas com seus próprios produtos, pis estes produtos representam a identidade comercial que os fez chegar onde chegaram. Alguns até mesmo podem utilizar estes recursos, e há ainda os que já os utilizam. Mas não é esta a realidade da grande maioria, que ainda produz móveis sob medida, da mesma forma que se produzia há vinte anos atrás. Mudaram os modelos, alguns materiais, os componentes, os produtos de acabamento, a forma de montagem e usinagem. Mas o que não mudou foi o conceito do mercado em relação aos produtos com a “marca Gramado”. Mesmo os estilos já mudaram quatro vezes, mas o mercado não percebeu, porque define “Gramado” (estilo) como um estilo de vida. Um status conquistado. Um sonho realizado ou por realizar.
E isto tudo, porque a geografia e a topografia do lugar não permitem construão de grandes pavilhões para massificar a produção do mobiliário.
Gramado é uma “boutique” no que tange à decoração, mas é uma “boutique” acessível a diversas camadas de consumo, entre os consumidores dos padrões que vão de “A” a “D”. E não deve ser mudada.
Compreender este tipo de cliente torna-se quase um segredo, a partir de um aprendizado que só pode ser vivenciado quando o agente (designer) se tornar cúmplice de seus clientes, ao ponto de interpretar não apenas a vontade e o tipo de produto a serem desenvolvidos, mas a natureza do “modus vivendi”, e “modus operandi” de seus consulentes.
Desta forma optamos por realizar um trabalho que pode diferir dos padrões que citamos, não por desconhecermos estes padrões, mas por julgarmos inteiramente desnecessários, inexpressivos e obsoletos no ambiente que por mais tempo permanecemos: o chão-de-fábrica.
Confiabilidade no Profissional
Nossa vivência com diversos tipos de industrias e clientes nos levou a desenvolver nossos trabalhos com mais horas de chão-de-fábrica e menos horas de estúdio, embora tenhamos a necessidade do silêncio da pesquisa e do projeto em si. Mas entendemos que, por mais detalhado que seja o projeto, mais clara a renderização, nossa presença tomando decisões junto aos prototipistas e com a direção das fábricas é o fator fundamental para a agilização dos processos e qualidade dos produtos criados.
Alterações, acréscimos ou substituições são definidas “in loco”, e num curto período, e com menor desperdício de tempo e materiais, tornando realidade as peças que tínhamos imaginado, e ainda nesta proximidade, tomamos as decisões com co-participação de todos os profissionais que atuarão diretamente na industrialização do produto.
Nossos protótipos são desenvolvidos no próprio ambiente de fabricação, e com a fiscalização dos funcionários, gerentes, diretores, e em muitos casos, pelos lojistas e representantes. Não fazemos mistério dos novos produtos, pois entendemos que todas as pessoas que participam de uma familia produtiva têm responsabilidades e a eles se deve confiabilidade, e suas opiniões, por mais singelas que pareçam podem fazer a diferença entre um bom ou mau produto. Muitos problemas são detectados pelos próprios funcionários envolvidos na fabricação. Muitas dificuldades de produção são apontadas pelas pessoas que operam as máquinas, procedem a montagem ou providenciam o embarque dos produtos. Desta forma, o processo é democrático e participativo, independente do tamanho da indústria ou do número de empregos que oferece. Todos são apontados como merecedores pelo sucesso, ou cúmplices pelo fracasso de um produto que não saia da indústria com o melhor da qualidade que possam oferecer.
Identificação do mercado consumidor – Quem define isso: O Designer ou o cliente?
Há casos e casos. Vejamos alguns.
1 – Cliente inseguro: Procura o profissional e relata que precisa criar produtos novos para agregar valor aos seus produtos. Mas os novos modêlos devem obedecer ao seu processo produtivo. Não sabe o que quer, mas aponta esta direção.
Nossa atitude, naturalmente após o diagnóstico de sua empresa, recursos, fornecedores, produtividade, “know-how”, clientes ativos, etc, identificamos nos seus produtos possíveis melhorias, e a partir de seu processo em atividade, tracamos alternativas.
2 – Cliente inovador: Nos procura com a firme intenção de mudar completamente de estilo e sistema de produçnao. Snao raríssimos, mas existem e já atendi alguns com esta característica. Nesse caso buscamos identificar as razões de sua mudança tão radical e suas consequências no mercado comprador. Em geral são clientes que tiveram lgum tipo de problema com a comercialização ou marca da empresa, que mudam totalmente de identidade. A começar pelos produtos, passando pelo nome da empresa, representantes, etc.
3 – Cliente cauteloso – Cliente conservador: Não pode ser confundido com o cliente inseguro. Enquanto o primeiro busca agregar valor ao que jea produz, o úlimo apenas propõe acréscimos à sua linha, ou muito cautelosamente aceita uma nova linha, sem mudanças significativas, que possam complementar seu catealogo e garantir mais espaço nas vitrines de seus clientes.
4 – Cliente vanguardista: Este quer estar à frente de seu tempo, seus concorrentes, seus clientes e não tem medo de inovar. Este costuma ser o cliente mais arrojado e o que aceitas idéias novas com mais facilidade. Mas pode ser aquele que pode facilmente derrubar um designer, se este profissional não tiver maturidade sificiente para absorver e manter o necesseario equilíbrio diante de tantas portas se abrindo. Frear os ímpetos de criar por criar, de fazer do produto um objeto de arte para consursos ´ a grande tentaçnao do designer. Manter a calma é o caminho seguro a tomar.
De minha parte, optei por não vencer concursos, dos quais recuso-me terminantemente a participar. Optei por vencer o mercado. É um desafio maior e garante mais emprego aos meus clientes.
Pacard Designer
Maio de 2003
Furniture design
Estrutura Medotológica
para
Desenvolvimento de Novos Produtos
1 - Resumo
O trabalho propõe uma metodologia de abordagem na gestão de projetos no desenvolvimento de produtos moveleiros, tendo como base teórica normativas de segurança do trabalho (NR-17), publicações técnicas do meio científico e opiniões de profissionais que atuam no segmento através de instituições envolvidas no processo, tais como:
UDESC (Prof. Eduardo Miguel Talmasky, Dr. Engº); SENAI-CETEMO/ UCS (Renato Hansen, Coord. De Curso de Tecnologia de Produção Moveleira; Kaminski, 2000, no qualitativo do desenvolvimento do projeto em si; Favero e Castro Casaroto, citados por Talmasky concluem que: “define-se a engenharia simultânea como simples idéia de ter um grupo de trabalho sobre um sistema, num desenvolvimento total de atividades, tudo centrado no benefífio do consumidor”. Nessa definição, “o sistema traduz os parâmetros de projeto, produção e de suporte, todos integrados numa mesma unidade”. Considero, portanto esta técnica, onde o projeto do produto é o centro, ao que se acoplam diferentes disciplinas, para iniciar o trabalho simultâneo, incluindo todas as diferentes atividades que definem o produto.
Considerando não encontrarmos literatura integral nem legislação e que defina metodologia, concentramos nosso foco integrando excertos de um conjunto de conceitos individuais, buscando-se em outras áreas, como o “Marketing” e técnicas industriais como o QFD – Quality Function Deployment – o apoio para o atendimento de exigências da norma ISSO 9001 com o estabelecimento da gestão de todas as relações envolvidas no processo, sem no entanto deixar de considerar cada cliente e suas potencialidades para implementação dos processos, e especialmente, seu real interesse nessa implementação, avaliando que não se deva atribuir unicamente ao design ou ao designer do produto a árdua tarefa de implementação desse processo, mas como parte de uma abordagem que possa promover o enriquecimento profissional dos envolvidos no contexto da globalização.
Nessa abordagem ainda citamos PERUZZI, JAIME TOREAN, 1998, que planifica o surgimento do novo produto como uma consequência da inter-relação de dependência entre os setores de Marketing, Compras, Design e Engenharia.
Esse desdobramento da função de qualidade – QFD – parte das necessidades do consumidor, para convertê-las em parâmetros técnicos. Assim o QFD é uma ferramenta que consegue determinar a qualidade, não somente na fase do projeto conceitual, como também em fases posteriores: combinando necessidades do mercado com dimensionamento técnico, e análise da concorrência, no conceito de HAUSER & CLAUSING, 1988, onde complemento ainda a dinâmica de produtividade.
Saliento que outro elemento importante no desenvolvimento do projeto de produto, são os suportes informáticos, que em considerando o nível tecnológico dos clientes, que na sua grande maioria são empresas recém saídas da informalidade, torna-se obsoleto na fase de complementaçnao de novos produtos. Reserva-se esta fase para uma segunda etapa ou ainda adiante, pois há considerações levantadas sobre o assunto, tais como a inexistência de equipamentos de comando numérico, política de custos, metodologia gerencial, administrativa e financeira, estas mais urgentes, no conceito dos próprios clientes, do que uma metodologia científica sobre a questão do design.
Mesmo assim, para aquels empresas que já se qualificaram, a CIM (Computer Integrated Manufacturing), segundo KAMINSKI, 2000 permite uma instantânea e compreensível troca de informações, devido ao fato de todos os níveis de atuação trabalharem sob os mesmos códigos representativos de informação. A implementação do CIM implica a utilização de diversas tecnologias baseadas na informática, tais como:
CAD – Computer Aided Design; CAE – Computed-Aided Enginering; CAM – Computer-Aided Manufacturing; CAT – Computer-Aided Testing; CNC – Computer Numerical Control; FMS – Flexible Manufacturing System; MRP – Material, Requiremente Planning; Robótica; Inteligência Artificial e Prototipagem Rápida.
Para a área de desenvolvimento de produtos, são utilizadas as tecnologias CAD e CAE, e mais recentemente, a Prototipagem Rápida, embora ainda não tenhamos utilizado estes serviços, pelo tipo de trabalho desenvolvido e nível informal dos clientes, e pela agilidade das operações em chão-de-fábrica, por considerarmos esta forma mais adequada no momento aos nossos clientes.
O CAE, engenharia assistida por computador, também não temos utilizado, pelo já descrito acima, e principalmente por trabalharmos mais com produtos de madeira convencionais, de tecnologia já conhecida, sendo desnecessária sua utilização.
Mais adiante colocaremos os passos de trabalho em que serão utilizados recursos de CNC.
2 - Gestão da Qualidade no Projeto do Produto Moveleiro
Os componentes na gestão de projetos moveleiros devem contemplar a perspectiva de integração máxima, onde cada setor entende e incorpora às suas estratégias a necessidade de atuar como parte de um sistema abrindo mão muitas vezes de necessidades individuais em benefício do todo, não sem que se tome por princípio o respeito à individualidade de cada empresa e em cumprimento às suas necessidades, cujo objetivo deve ser contemplado na elaboração de cada proposta.
Num segundo sentido trata-se de modificar o modelo tradicional de desenvolvimento do processo de produção da industria moveleira para um novo modelo de produção com menor numero de etapas, maior variabilidade de resultados, maior flexibilidade e transparência em todas as fases.
A norma NBR ISSO 9001(ABNT, 2000) estabelece os elementos do sistema de gestõ da qualidade envolvendo o projeto do produto, através dos requisitos para o “Controle de Projeto”, composto dos seguintes elementos: planejamento de projeto e de desenvolvimento, interface técnicas e organizacionais, entrada de projeto e alterações de projetos”. Os demais ítens do sistema de qualidade e previstos pela norma interagem com o projeto, como controle de documentos e dados.
2.1 – A Qualidade do Processo de Elaboração do projeto
Os procedimentos constituintes do sistema de gestão da qualidade no processo podem ser descritos como:
- Identificação e estabelecimento do fluxo de atividades de cada processo constituinte da elaboração do projeto.
- Estabelecimento do fluxo geral de projeto com todas as relações de interface e definição dos momentos de tomadas de decisão e concepçåo conjuntas;
- Definição das funções de coordenação de projeto e comunicação envolvidos; procedimentos de convocação e coordenação de reuniões; registro de decisões adotadas pelos projetistas em comum acordo com a diretoria; procedimentos de elaboração de cronograma de projetos, mapa de acompanhamento de projetos.
2.2 – A Qualidade da Solução do Projeto
- A qualidade da solução refere-se ao conjunto resultante :
- Da con cepção formal-funcional levando-se em conta os valores socio-culturais e de desempenho técnico econômico.
- Da concepção estética e simbólica que esteja ligada ao ato criativo (semiótica), mas também aos valores culturais do ambiente em que o produto está se inserindo,
- Das especificações técnicas do ponto de vista de comportamento sob todas condições de uso ao longo da vida útil, respeitando-se inclusive as relações econômicas entre custos iniciais e custo ao longo da vida útil ao produto.
- Das relações queo o projeto determina entre as atividades necessárias para a produção que determinam a produtividade a ser atingida no processo de trabalho e por conseqüência dos custos de execução.
- Os procedimentos constituem o sistema de gestão da qualidade do projeto quanto à qualidade da solução são:
- Metodologia de levantamento de necessidades dos clientes internos e externos.
- Parâmetros padronizados relativos a cada projeto e respectivas interfaces: consistem de definições prévias de projeto de padronização, incluindo detalhes (Know-how da empresa). Neste fator é importante considerar o que define o artigo17.1 da NR-17 quando se refer à implementaçnao de parâmetros:” A palavra parâmetros criou uma falsa expectativa de que seriam fornecidos valores precisos, normatizando toda e qualquer situação de trabalho. Apenas para a entrada eletrônica de dados, é que hea referência a numeros precisos.”
- Embora essa definiçnao normatica estabeleça fundamentalmente a qualificaçnao do trabalho em sim, o conceito é amplo e não deve ser desconsiderado enquanto delineador de caminhos para o desenvolvimentos de nosos produtos para utilização e conforto do ser humano.
- Das especificações que definem as características psicofiológicas inerentes ao uso coletivo ou individual referentes à adequação do produto ao homem (antropológico). Se a ergonomia se distingue pela sua característica de busca da adaptação das condições do trabalho ao homem (aqui podemos definir trabalho por uso do mobiliário, enquanto elementos de uso plural em suas finalidades, como a cadeira, mesa, bancada de computador, carteira escolar, etc), aprimeira pergunta a se colocar é: quem é este ou quem snao estes seres humanos a quem vou projetar este móvel? Evidentemente, todo o conhecimento antropológico, psicológico, fisiológico, de arte, história, semiótica, etc, está aí incluído, e não podemos fazer uma listagem completa de todas estas características. Ainda nnao se tem conhecimento acabado sobre o homem. Mas todas as aquisições dos diversos ramos do conhecimento devem ser utilizadas na melhoria das condições de trabalho e criação dos produtos, considerando que o objetivo final serea sempre o ser humano.
- A mesma NR-17 define em suas especificações sobre as condições de ajustabilidade do mobiliário de trabalho, mas que aqui devem também ser consideradas, que o produto deva atender a 95% da população. Nesse caso, considerando as parcas fontes de regulamentação do biotipo regional, e verificando que os produtos encontrados no mercado brasileiro sejam na sua maioria cópias imperfeitas do mobiliário clássico, ou mesmo contemporâneo, as dimensões são aquelas determinadas pelo produto original de procedência em geral européia, ou norteamericana, e isso faz com que, semelhantemente a produção e as normativas do mercado de matérias primas tais como painéis, cortes de madeira e outros ainda sejam mesurados em polegadas, provenientes do sistema métrico inglês, cujo norteia os parâmetros métricos inernacionais fundamentados no biotipo antropomórfico caucasiano, cujas origens aindam remontam o império romano, onde as ruas deviam ter a largura proporcional ao cavalo de César, e a polegada, o compimento do polegar do rei, qual, ninguém mais sabe.
- Ainda hoje a arquitetura se baseia nos padrôes de Le Corbusier, compilados por E. Neufert após a segunda guerra, para estandartização dos ambientes. Portanto, seria um debate interminável buscar qualificar padrões exatos para produtos cujos ocupantes são variáveis.
- O entendimento das questões relacionadas com os aspectos construtivos e de utilização dos objetos deve ter continuidade através da experimentação e simulação de modelos funcionais. A compreensão dos princípios de estrutura relativa à adequação dos materiais e sua transformação, será efetuada também através da análise de formas e tipologias semelhantes interpretadas em tecnologias de materiais distintos. A conclusão deste percurso, irá incidir na análise dos setores industriais da produção do mobiliário doméstico ou comercial.
- Esta metodologia é completada ao longo de seu percurso, com a prática das representações rigorosas renderizadas livremente de forma convencional (poderá ser digital) inerentes ao projeto e sua comunicação.
-
2.3 – A Qualidade da Apresentação do Projeto
Trata-se da apresentação adequada para fazer com que as decisões relativas às características do produto não sejam tomadas apenas na fase de elaboração do projeto retirando-se decisões improvisadas no chão-de-fábrica, devendo-se definir:
- Os padrões de apresentação gráfica de todos os documentos
- Os padrões de integração de sistemas informatizado.
- Os padrões de apresentação de especificações técnicas considerando os momentos e graus de detalhamento e segundo os momentos em que as mesmas ocorrem: na elaboração do projeto; procedimento de qualificação de fornecedores e compras.
- Os padrões de apresentação dos memoriais técnico e dos memoriais de vendas assegurando o emprego dos produtos em conformidade às normas técnicas.
Como parte do sistema de gestão da qualidade que envolve a elaboração do projeto ainda deve-se destacar a elaboração de metodologia de avaliação da satisfação dos clientes.
(Fontes: A Gestão da Qualidade do desenvolvimento dos Produtos Moveleiros, Prf. Eduardo Miguel Talmasky, Dr. Engº - UDESC; Oficina de Design Mobiliário – Min. Educação, Portugal – Profs. Paulo Parra, José Viana e Raúl Cunca; NR-17 – Manual de Aplicação – Min. Trabalho, Brasil, 1994. – Conceitos de livre interpretação dos citados autores, com acréscimos do Designer).
Natureza do Design
Considerando ser o design, na definição de RENATO HANSEN, : “um poderoso instrumento na diferenciação de seus produtos e na conquista de mercados….que consiste no desenvolvimento de novos produtos ou redesenho de produtos existentes, levando em consideração aspectos como: custo, forma, materiais empregados, processo de fabricação, estética, ergonomia, segurança entre outros”, e também considerando, no caso específico, o paradoxo da busca da vocação mercadológica, aliado ao Marketing expontâneo do assim denominado “ Estilo Gramado”, ou “Estilo de Gramado”, entendemos a necessidade da aplicação dos conceitos resultantes do experimento com a teoria acadêmica. O fator empírico que norteia o atual estágio da indústria situada na Região das Hortênsias do Rio Grande do Sul se auto-define como “autóctone” no sentido figurativo de um conceito mercadológico nato resultante das características climáticas, de colonização, topográficas, culturais, mercadológicas e ambientais do lugar.
Em se considerando num breviário histórico a partir de 1967, quando do surgimento de um pequeno atelier individual, passando a um núcleo de artesãos e daí a definição de um estilo que, mesmo em constantes metamorfoses, fixou-se no cenário nacional e hoje internacional como um adjetivo a um produto, tal como ocorre em gentílicos de vinhos e espumantes ou outros similares, deve-se considerar esta característica única no setor, no Brasil, e proporcionar ajustes que permitam o enlace entre a demanda global de tecnologia, e a identidade de um produto de origem.
3 – Projeto Gramado 2003 – Passos de fundamentação dos produtos criados
Como mencionei, por suas características diante do mercado brasileiro da indústria moveleira, Gramado tem uma representatividade quantitativa quase insignificate. Produz num parque industrial com ínfimas possibilidades de expansão em área construída, dada a topografia do município, condiçnoes de prioridades ecológicas aliadas ao turismo contemplativo e de eventos, torna-se inpensável propor crescimento de produção, exceto aquele proporcionado por ajustes tecnológicos e compactação de lay-out numa tentativa de acomodação dos equipamentos existentes ao parque construído.
De outro lado, a necessidade de qualificação dos produtos para maior rentabilidade, e sendo impossível a expansão de chão-de-fábrica, se faz necessário agregar valor aos produtos ora oferecidos, seja com nova modelagem ajustada aos padrões de exigência do consumidor, seja qualificando os produtos exsistentes e agregando possibilidades de torná-los competitivos pelo visual e principalmente pela qualidade. Esta é a sílaba tônica do que propusemos fazer em nosso trabalho para um grupo de 19 empresas que reúnem o qulificativo de pertencerem a uma vanguarda local, inspirando uma liderança silenciosa, mas efetiva sobre tudo o que faz, sendo observada, seguida e até copiada em etapas de ajuste da aceitação do mercado.
Aplicação das metodologias mencionadas neste documento. Utilizar ou não?
Embora ofereça subsídio para os melhores eventos produtivos, o material descrito é um compêndio de pesquisas, excertos de opiniões registradas por eminentes teóricos e balizados profissionais do setor, mas entendemos que a falta de água pode matar pela sede, e o excesso dela, por afogamento.
Uma sociedade produtiva que faz malabarismo para se suster entre a natureza que encanta e o mercado que clama, deve ser tratada com delicadeza e parcialidade. Embora a globalização venha rugindo de forma incontrolável, e com isso exigindo uma padronização absoluta de métodos e processos, somos por vezes forçados a lembrar que o ser humano ainda é o objetivo de qualquer ação proposta pelos meios de produção. Do homem para o homem, tendo o homem como alvo, método, instrumento e origem.
Considerando que a indústria operante em Gramado e Canela advém de uma feliz associação entre o atesanato e o turismo (um geralmente leva o outro à ação), imaginar em implantar métodos e processos que possam servir em outros pólos produtivos, caracterizaria uma agressão tão violenta ao espírito criativo deste núcleo, que poderia vir a barrar futuras ações necessárias e viáveis, porque mesmo que se altere o curso de um rio, ele continuará a ser um rio. Mesmo que poluamos seu leito e invadamos suas margens, continuará a ser um rio.
Nossa experiência em Gramado nos mostra que Gramado não deseja mudar. Mais tecnologia, sim. Mais empregos, e melhores ganhos, sim. Desumanizar e descaracterizar sua industria, não.
Como conciliar crescimento, tecnologia e artesanato?
Em primeiro lugar, sem impor condições, tecnologia ou produtos que a comunidade nnao quer. O avanço deve ser gradual e até mesmo lento, seguro e eficiente. Naturalmente há empresários que desejariam poder competir com outros pólos produtivos, mas com seus próprios produtos, pis estes produtos representam a identidade comercial que os fez chegar onde chegaram. Alguns até mesmo podem utilizar estes recursos, e há ainda os que já os utilizam. Mas não é esta a realidade da grande maioria, que ainda produz móveis sob medida, da mesma forma que se produzia há vinte anos atrás. Mudaram os modelos, alguns materiais, os componentes, os produtos de acabamento, a forma de montagem e usinagem. Mas o que não mudou foi o conceito do mercado em relação aos produtos com a “marca Gramado”. Mesmo os estilos já mudaram quatro vezes, mas o mercado não percebeu, porque define “Gramado” (estilo) como um estilo de vida. Um status conquistado. Um sonho realizado ou por realizar.
E isto tudo, porque a geografia e a topografia do lugar não permitem construão de grandes pavilhões para massificar a produção do mobiliário.
Gramado é uma “boutique” no que tange à decoração, mas é uma “boutique” acessível a diversas camadas de consumo, entre os consumidores dos padrões que vão de “A” a “D”. E não deve ser mudada.
Compreender este tipo de cliente torna-se quase um segredo, a partir de um aprendizado que só pode ser vivenciado quando o agente (designer) se tornar cúmplice de seus clientes, ao ponto de interpretar não apenas a vontade e o tipo de produto a serem desenvolvidos, mas a natureza do “modus vivendi”, e “modus operandi” de seus consulentes.
Desta forma optamos por realizar um trabalho que pode diferir dos padrões que citamos, não por desconhecermos estes padrões, mas por julgarmos inteiramente desnecessários, inexpressivos e obsoletos no ambiente que por mais tempo permanecemos: o chão-de-fábrica.
Confiabilidade no Profissional
Nossa vivência com diversos tipos de industrias e clientes nos levou a desenvolver nossos trabalhos com mais horas de chão-de-fábrica e menos horas de estúdio, embora tenhamos a necessidade do silêncio da pesquisa e do projeto em si. Mas entendemos que, por mais detalhado que seja o projeto, mais clara a renderização, nossa presença tomando decisões junto aos prototipistas e com a direção das fábricas é o fator fundamental para a agilização dos processos e qualidade dos produtos criados.
Alterações, acréscimos ou substituições são definidas “in loco”, e num curto período, e com menor desperdício de tempo e materiais, tornando realidade as peças que tínhamos imaginado, e ainda nesta proximidade, tomamos as decisões com co-participação de todos os profissionais que atuarão diretamente na industrialização do produto.
Nossos protótipos são desenvolvidos no próprio ambiente de fabricação, e com a fiscalização dos funcionários, gerentes, diretores, e em muitos casos, pelos lojistas e representantes. Não fazemos mistério dos novos produtos, pois entendemos que todas as pessoas que participam de uma familia produtiva têm responsabilidades e a eles se deve confiabilidade, e suas opiniões, por mais singelas que pareçam podem fazer a diferença entre um bom ou mau produto. Muitos problemas são detectados pelos próprios funcionários envolvidos na fabricação. Muitas dificuldades de produção são apontadas pelas pessoas que operam as máquinas, procedem a montagem ou providenciam o embarque dos produtos. Desta forma, o processo é democrático e participativo, independente do tamanho da indústria ou do número de empregos que oferece. Todos são apontados como merecedores pelo sucesso, ou cúmplices pelo fracasso de um produto que não saia da indústria com o melhor da qualidade que possam oferecer.
Identificação do mercado consumidor – Quem define isso: O Designer ou o cliente?
Há casos e casos. Vejamos alguns.
1 – Cliente inseguro: Procura o profissional e relata que precisa criar produtos novos para agregar valor aos seus produtos. Mas os novos modêlos devem obedecer ao seu processo produtivo. Não sabe o que quer, mas aponta esta direção.
Nossa atitude, naturalmente após o diagnóstico de sua empresa, recursos, fornecedores, produtividade, “know-how”, clientes ativos, etc, identificamos nos seus produtos possíveis melhorias, e a partir de seu processo em atividade, tracamos alternativas.
2 – Cliente inovador: Nos procura com a firme intenção de mudar completamente de estilo e sistema de produçnao. Snao raríssimos, mas existem e já atendi alguns com esta característica. Nesse caso buscamos identificar as razões de sua mudança tão radical e suas consequências no mercado comprador. Em geral são clientes que tiveram lgum tipo de problema com a comercialização ou marca da empresa, que mudam totalmente de identidade. A começar pelos produtos, passando pelo nome da empresa, representantes, etc.
3 – Cliente cauteloso – Cliente conservador: Não pode ser confundido com o cliente inseguro. Enquanto o primeiro busca agregar valor ao que jea produz, o úlimo apenas propõe acréscimos à sua linha, ou muito cautelosamente aceita uma nova linha, sem mudanças significativas, que possam complementar seu catealogo e garantir mais espaço nas vitrines de seus clientes.
4 – Cliente vanguardista: Este quer estar à frente de seu tempo, seus concorrentes, seus clientes e não tem medo de inovar. Este costuma ser o cliente mais arrojado e o que aceitas idéias novas com mais facilidade. Mas pode ser aquele que pode facilmente derrubar um designer, se este profissional não tiver maturidade sificiente para absorver e manter o necesseario equilíbrio diante de tantas portas se abrindo. Frear os ímpetos de criar por criar, de fazer do produto um objeto de arte para consursos ´ a grande tentaçnao do designer. Manter a calma é o caminho seguro a tomar.
De minha parte, optei por não vencer concursos, dos quais recuso-me terminantemente a participar. Optei por vencer o mercado. É um desafio maior e garante mais emprego aos meus clientes.
Pacard Designer
Maio de 2003
terça-feira, março 18, 2003
Hoje eu chorei
(Reflexões sobre depois de amanhã, quando a guerra iniciar)
Pacard
Sou um homem de 45 anos de idade. Em outras circunstâncias, diria eu, “bem vividos”. Minha definição sobre minha personalidade tange para: debochado, irônico, sarcástico, brincalhão, gosto de explorar o tirocínio e me divirto deslizando pelas palavras no cáustico exercício da retórica, sempre que a oportunidade me permite esta iguaria da razão.
Mas hoje eu chorei. Não sou emotivo, sou bastante frio, na verdade. Pelo menos na minha aparência sizuda. Não manifesto minha emoção chorando. Isso me causa muita dor nas vezes em que sofro sem conseguir (ou desejar) chorar. Dor física. Dor nas costas, dor nas mãos, dor no peito.
Mas hoje eu chorei. Meu dia foi pesado. Deu tudo certo. Consegui fazer tudo o que me propus fazer. Despachei todos os documentos que a fria burocracia em busca de dinheiro me obriga a despachar. Todos os contratos foram devidamente preenchidos e assinados. Está tudo certo. Mas eu chorei.
Chorei quando pensei na guerra tão próxima. Chorei quando pensei que a humanidade se defrontou consigo mesma numa muralha de vidro fino, fraco e transparente. Tão transparente, tão fino e tão fraco que se estilhaçou em incontáveis cacos diante da arrogância de dois ditadores que mentem em nome de Deus. Que anunciam calamidades em nome do povo. Que inebriam o povo em nome da segurança. Que espalham a morte em nome da vida.
Chorei ao ver a demonstração de força de dois loucos que não conhecem a palavra “perdão”. Chorei ao ouvir os sons de bombas fazendo coro ao choro dos pequeninos que certamente irão perder seus pais; dos pais que perderão seus pequeninos; de mães que chorarão seus filhos; de filhos que nunca mais verão as suas mães; de pais não mais terão braços para filhos embalar, e nem filhos para afagr em seus braços.
Eu hoje chorei, como chora um homem, ao saber que em nome do “orgulho nacional” o céu cairá sobre as casas sob a forma de aviões e a noite se iluminará sob o estrondo de bombas.
Chorei em nome de todos os que não poderão chorar, pois só se chora vivo. Não tive medo de que alguma bomba perdida venha cair no quintal de minha casa e destruir meu jardim, mas chorei porque vi dois loucos que nunca plantaram um jardim para ocupar-se nos dias de amargura, mas semearão sangue suficiente para regar tantos jardins, que dois homens somente jamais serãs capazes de plantar neles sequer uma única flor.
Chorei pelos velhos e pelas velhas, cujas tetas secas buscarão os lábios mortos de seus meninos para regar-lhes vida, mas em vão encontrarão pedaços de mãos e braços segurando pó.
Chorei sozinho a ver meu filho menino brincar de herói, e sei que chorei pelos meninos que não serão heróis, porque todo herói precisa morrer por uma causa nobre, e só pode morrer que uma vez viveu. E eles não terão tempo para isso, pois a guerra os quer do jeito que estão para tragar seus corpos, devorar sua carne e beber seu sangue.
A guerra é um demônio cruel e sangüinário, que devora virgens, velhos, moços, pobres, ricos, pretos, pardos, dourados, amarelos e sonhadores. Devora campos de trigo e incendeia casas. E tudo isso faz em nome da paz.
Eu hoje chorei. E orei pela paz.
(Reflexões sobre depois de amanhã, quando a guerra iniciar)
Pacard
Sou um homem de 45 anos de idade. Em outras circunstâncias, diria eu, “bem vividos”. Minha definição sobre minha personalidade tange para: debochado, irônico, sarcástico, brincalhão, gosto de explorar o tirocínio e me divirto deslizando pelas palavras no cáustico exercício da retórica, sempre que a oportunidade me permite esta iguaria da razão.
Mas hoje eu chorei. Não sou emotivo, sou bastante frio, na verdade. Pelo menos na minha aparência sizuda. Não manifesto minha emoção chorando. Isso me causa muita dor nas vezes em que sofro sem conseguir (ou desejar) chorar. Dor física. Dor nas costas, dor nas mãos, dor no peito.
Mas hoje eu chorei. Meu dia foi pesado. Deu tudo certo. Consegui fazer tudo o que me propus fazer. Despachei todos os documentos que a fria burocracia em busca de dinheiro me obriga a despachar. Todos os contratos foram devidamente preenchidos e assinados. Está tudo certo. Mas eu chorei.
Chorei quando pensei na guerra tão próxima. Chorei quando pensei que a humanidade se defrontou consigo mesma numa muralha de vidro fino, fraco e transparente. Tão transparente, tão fino e tão fraco que se estilhaçou em incontáveis cacos diante da arrogância de dois ditadores que mentem em nome de Deus. Que anunciam calamidades em nome do povo. Que inebriam o povo em nome da segurança. Que espalham a morte em nome da vida.
Chorei ao ver a demonstração de força de dois loucos que não conhecem a palavra “perdão”. Chorei ao ouvir os sons de bombas fazendo coro ao choro dos pequeninos que certamente irão perder seus pais; dos pais que perderão seus pequeninos; de mães que chorarão seus filhos; de filhos que nunca mais verão as suas mães; de pais não mais terão braços para filhos embalar, e nem filhos para afagr em seus braços.
Eu hoje chorei, como chora um homem, ao saber que em nome do “orgulho nacional” o céu cairá sobre as casas sob a forma de aviões e a noite se iluminará sob o estrondo de bombas.
Chorei em nome de todos os que não poderão chorar, pois só se chora vivo. Não tive medo de que alguma bomba perdida venha cair no quintal de minha casa e destruir meu jardim, mas chorei porque vi dois loucos que nunca plantaram um jardim para ocupar-se nos dias de amargura, mas semearão sangue suficiente para regar tantos jardins, que dois homens somente jamais serãs capazes de plantar neles sequer uma única flor.
Chorei pelos velhos e pelas velhas, cujas tetas secas buscarão os lábios mortos de seus meninos para regar-lhes vida, mas em vão encontrarão pedaços de mãos e braços segurando pó.
Chorei sozinho a ver meu filho menino brincar de herói, e sei que chorei pelos meninos que não serão heróis, porque todo herói precisa morrer por uma causa nobre, e só pode morrer que uma vez viveu. E eles não terão tempo para isso, pois a guerra os quer do jeito que estão para tragar seus corpos, devorar sua carne e beber seu sangue.
A guerra é um demônio cruel e sangüinário, que devora virgens, velhos, moços, pobres, ricos, pretos, pardos, dourados, amarelos e sonhadores. Devora campos de trigo e incendeia casas. E tudo isso faz em nome da paz.
Eu hoje chorei. E orei pela paz.
domingo, março 09, 2003
segunda-feira, fevereiro 17, 2003
VIM, VI E VENCI
Paulo Cardoso
Pelo teor da exclamação, alguém um dia duvidou da capacidade de Julio César em conquistar o Egito. E não é de admirar, pois a fama da raínha dos papiros, Cleópatra (que muitos pensam chamar-se Elisabeth Taylor) era infernal. Papava todos e não poupava ninguém. De César a Marco Antônio, iam e lá rebolavam todos na frente dela, entre meia dúzia de pítons e crocodilos, enquanto ela repetia: “baba, bobo, baba”.
Mas César venceu e mandou um recado ao senado de Roma: Viram? Voces diziam que eu não vinha. Pois vim. Diziam que se aqui chegasse, não teria nada de bom para ver. Pois vi e gostei. E se visse algo que prestasse, era demais pro meu bico. Pois ganhei a gata. Venci. E prontamente mostrou meio palmo de língua e fez aquele barulho caracrerístico de quem debocha, tremulando a língua entre os lábios:” Blrlrrlrrrrpt”.
Lembram do que eu disse sobre as mudanças de Gramado, sua qualidade, seu design, seus produtos, sua variedade, etc e etecetera (leia-se revista “Móveis de Valor” ano 2, nº 19, págs. 42 e 43)? Pois eu não menti. As feiras aconteceram e consolidaram Gramado como o novo centro de design classe “A” do Brasil (embora um dia a gente ainda possa discutir sobre a classe do design, porque particularmente eu acho que design é design. Só mudam o material, fabricante e preço dos produtos, além da qualidade, é claro).
O “Salão do Móvel Brasil” já está firmado como a “pole position” desde que surgiu. O top da América Latina habita em Gramado durante quatro dias no mês de fevereiro. E agora a irmãzinha menor, mas nem por isso mais feia, desabrocha mostrando que Gramado é uma eterna primavera. A “Gramado Móvel Show” tirou da obscuridade pequeninas empresas que provaram ser capazes de quebrar paradigmas e acreditar em si mesmas e na união pela qualificação de seus produtos. E todos venderam, e venderam muito. E venderão muito mais. E mais comprarão aqueles que aqui vieram e viram que tudo o que eu disse só faltava isso para ser comprovado. Quem viesse, veria, isso eu falei. Quem veio viu e voltará.
Paulo Cardoso
Pelo teor da exclamação, alguém um dia duvidou da capacidade de Julio César em conquistar o Egito. E não é de admirar, pois a fama da raínha dos papiros, Cleópatra (que muitos pensam chamar-se Elisabeth Taylor) era infernal. Papava todos e não poupava ninguém. De César a Marco Antônio, iam e lá rebolavam todos na frente dela, entre meia dúzia de pítons e crocodilos, enquanto ela repetia: “baba, bobo, baba”.
Mas César venceu e mandou um recado ao senado de Roma: Viram? Voces diziam que eu não vinha. Pois vim. Diziam que se aqui chegasse, não teria nada de bom para ver. Pois vi e gostei. E se visse algo que prestasse, era demais pro meu bico. Pois ganhei a gata. Venci. E prontamente mostrou meio palmo de língua e fez aquele barulho caracrerístico de quem debocha, tremulando a língua entre os lábios:” Blrlrrlrrrrpt”.
Lembram do que eu disse sobre as mudanças de Gramado, sua qualidade, seu design, seus produtos, sua variedade, etc e etecetera (leia-se revista “Móveis de Valor” ano 2, nº 19, págs. 42 e 43)? Pois eu não menti. As feiras aconteceram e consolidaram Gramado como o novo centro de design classe “A” do Brasil (embora um dia a gente ainda possa discutir sobre a classe do design, porque particularmente eu acho que design é design. Só mudam o material, fabricante e preço dos produtos, além da qualidade, é claro).
O “Salão do Móvel Brasil” já está firmado como a “pole position” desde que surgiu. O top da América Latina habita em Gramado durante quatro dias no mês de fevereiro. E agora a irmãzinha menor, mas nem por isso mais feia, desabrocha mostrando que Gramado é uma eterna primavera. A “Gramado Móvel Show” tirou da obscuridade pequeninas empresas que provaram ser capazes de quebrar paradigmas e acreditar em si mesmas e na união pela qualificação de seus produtos. E todos venderam, e venderam muito. E venderão muito mais. E mais comprarão aqueles que aqui vieram e viram que tudo o que eu disse só faltava isso para ser comprovado. Quem viesse, veria, isso eu falei. Quem veio viu e voltará.
sexta-feira, janeiro 17, 2003
terça-feira, novembro 26, 2002
Compomóvel 2002 - Meus agradecimentos ao Sierra Park
Mandei este email ao Sierra Park, em particular ao Telmo, diretor da Compomóvel:
Amigo Telmo:
Estou ratificando meu agradecimento pela oportunidade de novamente ter participado da Compomóvel.
Como esperado, obtive êxito, durante o próprio evento fechei negócios, vendendo duas coleções, além de contatos futuros e divulgação de meu trabalho.
São eventos com esta seriedade que nos permitem alcançar resultados de satisfação profissional, e reputo-o como o melhor do Brasil nesta condição.
Até o momento são seis as coleções de minha autoria que estarão sendo mostradas nos próximos eventos de Gramado, o que, com a devida humildade e uma pitada de atrevimento, acredito contribuirem para um avanço sentido nos produtos, estilo e qualidade dos móveis de Gramado. E o melhor disso é um detalhe de muita importância: sou desta terra. E reconheço de público em meus testemunhos e palestras, bem como em minha web page, que devo grande parte deste reconhecimento à abertura que o Sierra Park, por teu intermédio proporcionou, a mim, e a outros profissionais que buscam seu espaço.
Estou à disposição, e um grande abraço.
Pacard Designer
Mandei este email ao Sierra Park, em particular ao Telmo, diretor da Compomóvel:
Amigo Telmo:
Estou ratificando meu agradecimento pela oportunidade de novamente ter participado da Compomóvel.
Como esperado, obtive êxito, durante o próprio evento fechei negócios, vendendo duas coleções, além de contatos futuros e divulgação de meu trabalho.
São eventos com esta seriedade que nos permitem alcançar resultados de satisfação profissional, e reputo-o como o melhor do Brasil nesta condição.
Até o momento são seis as coleções de minha autoria que estarão sendo mostradas nos próximos eventos de Gramado, o que, com a devida humildade e uma pitada de atrevimento, acredito contribuirem para um avanço sentido nos produtos, estilo e qualidade dos móveis de Gramado. E o melhor disso é um detalhe de muita importância: sou desta terra. E reconheço de público em meus testemunhos e palestras, bem como em minha web page, que devo grande parte deste reconhecimento à abertura que o Sierra Park, por teu intermédio proporcionou, a mim, e a outros profissionais que buscam seu espaço.
Estou à disposição, e um grande abraço.
Pacard Designer
quinta-feira, outubro 31, 2002
Criação: A escolha de ser livre
Se eu pudesse aconselhar um jovem designer, diria que nunca aceitasse todos os conselhos sem antes perguntar a si mesmo: "posso saber os atalhos para chegar mais cedo ao fim de meu aprendizado?". Se a resposta for "sim", diria que esqueça tudo o que ouviu e comece a fazer seu próprio caminho, mesmo que pareça mais difícil e seu horizonte inatingível..
Fazer atalhos para chegar a algum lugar não faz sentido quando se trata de criação.
A criação é como uma longa estrada cheia de belas paisagens, curvas, vales, montanhas, desertos, rios, penedos e planícies que temos a percorrer para chegarmos ao sucesso. Se buscarmos atalhos, alcançaremos o resultado, talvez financeiro, mas nunca de satisfação, porque deixamos de ganhar um tempo precioso através da observação, e das belas memórias dos caminhos que percorremos.
Criação é o entrelaçado da percepção e muitas vezes do sacrifício de contornar obstáculos, que nos poderá dar as respostas ao final da trajetória, aliado ao conhecimento das rotas percorridas para que possamos prover ao nosso cliente um mapa mais seguro daquilo que propomos ao final da jornada. E nem sempre os atalhos nos poderão dar esta confiança em nossos resultados.
Persiga sempre os seus instintos, e não se deixe embriagar pelo sucesso dos que o precederam na jornada. Por isso você é um criador, parecido com Deus, que se desejasse uma copiadora teria inventado a xerox muito antes do dilúvio. Mas Deus o fez também criador, e há até quem lhe pague para fazer isso. Por isso, tenha prazer em criar, e não afogue sua intuição nos conselhos de quem tem medo do que é novo, e lhe pede para buscar inspiração apenas "nas tendências do mercado". Você faz a tendência, que o mercado pode aceitar, ou não. Mas daí, é só recomeçar. Faça como Deus, passe um balde d´água e comece tudo de novo. Até acertar. E quando pensar que acertou, de novo esqueça tudo o que fez, e comece tudo outra vez. Um dia chega lá. E se não chegar, que importa isso? Afinal você conheceu as mais belas paisagens que sua imaginação pôde permitir visitar.
Se eu pudesse aconselhar um jovem designer, diria que nunca aceitasse todos os conselhos sem antes perguntar a si mesmo: "posso saber os atalhos para chegar mais cedo ao fim de meu aprendizado?". Se a resposta for "sim", diria que esqueça tudo o que ouviu e comece a fazer seu próprio caminho, mesmo que pareça mais difícil e seu horizonte inatingível..
Fazer atalhos para chegar a algum lugar não faz sentido quando se trata de criação.
A criação é como uma longa estrada cheia de belas paisagens, curvas, vales, montanhas, desertos, rios, penedos e planícies que temos a percorrer para chegarmos ao sucesso. Se buscarmos atalhos, alcançaremos o resultado, talvez financeiro, mas nunca de satisfação, porque deixamos de ganhar um tempo precioso através da observação, e das belas memórias dos caminhos que percorremos.
Criação é o entrelaçado da percepção e muitas vezes do sacrifício de contornar obstáculos, que nos poderá dar as respostas ao final da trajetória, aliado ao conhecimento das rotas percorridas para que possamos prover ao nosso cliente um mapa mais seguro daquilo que propomos ao final da jornada. E nem sempre os atalhos nos poderão dar esta confiança em nossos resultados.
Persiga sempre os seus instintos, e não se deixe embriagar pelo sucesso dos que o precederam na jornada. Por isso você é um criador, parecido com Deus, que se desejasse uma copiadora teria inventado a xerox muito antes do dilúvio. Mas Deus o fez também criador, e há até quem lhe pague para fazer isso. Por isso, tenha prazer em criar, e não afogue sua intuição nos conselhos de quem tem medo do que é novo, e lhe pede para buscar inspiração apenas "nas tendências do mercado". Você faz a tendência, que o mercado pode aceitar, ou não. Mas daí, é só recomeçar. Faça como Deus, passe um balde d´água e comece tudo de novo. Até acertar. E quando pensar que acertou, de novo esqueça tudo o que fez, e comece tudo outra vez. Um dia chega lá. E se não chegar, que importa isso? Afinal você conheceu as mais belas paisagens que sua imaginação pôde permitir visitar.
quinta-feira, outubro 17, 2002
domingo, setembro 08, 2002
sexta-feira, maio 03, 2002
Ética e Design
Que todo mundo copia de todo mundo, isso já está institucionalizado. Quem sou eu para tentar mudar. Mas que ficaria bem menos indignante se ao menos os que nos copiassem estivem num raio de mil Km ou mais, seria mais confortável e não precisariamos flagrar móveis ou produtos desenvolvidos, suados por nós expostos em vitrines que não tenhamos sequer autorizado ou si consultados.
E quando estes fabricantes são dirigentes de associações profissionais de desefa da ética dos produtos de uma localidade, fica mais feio ainda.
Vamos combinar assim: se quiserem copiar, no blog abaixo tem um link de uma das minhas coleções. Quem quiser copiar, copie. Mas não exponham nas nossas barbas e nem dêem autoria a copistas metidos a projetistas.
Que todo mundo copia de todo mundo, isso já está institucionalizado. Quem sou eu para tentar mudar. Mas que ficaria bem menos indignante se ao menos os que nos copiassem estivem num raio de mil Km ou mais, seria mais confortável e não precisariamos flagrar móveis ou produtos desenvolvidos, suados por nós expostos em vitrines que não tenhamos sequer autorizado ou si consultados.
E quando estes fabricantes são dirigentes de associações profissionais de desefa da ética dos produtos de uma localidade, fica mais feio ainda.
Vamos combinar assim: se quiserem copiar, no blog abaixo tem um link de uma das minhas coleções. Quem quiser copiar, copie. Mas não exponham nas nossas barbas e nem dêem autoria a copistas metidos a projetistas.
sábado, março 16, 2002
Reflexões
Pacard
1 – Os Ventos
Sempre ouvi dizer que a sabedoria morava junto ao silêncio, e resolvi então buscá-la.
Levantei bem cedo, pois o primeiro silêncio anda junto da aurora. Andei no rumo do sol e perguntei à brisa que me acompanhava:
- Conheces a sabedoria?
- Dela ouvi falar- me respondeu.Por que a buscas nesta hora do dia, em que melhor é vagar sem saber onde chegar?
- Porque sei que a posso encontrar e desejo dela sorver graça para minha vida – argumentei esperançoso de pudesse forçar o vento a me conduzir a um ponto de partida.
- Ventos não andam em busca de abstrações – disse com ar de melancolia. Somos a abstração que se pode sentir sem tocar. Somos a metáfora de Deus, porque não nascemos onde nos possam dar nome. Não andamos por caminhos pré-estabelecidos, e desaparecemos sem que nunca tenhamos sido tocados. Somos como o espírito vivo, embora caminhemos como a morte.
Ninguém nos pode guardar. Sabem quem somos só depois que passamos. Somos o passado como vozes do presente. Nos podem ouvir, até mesmo há quem procure traduzir nossas canções, mas frear nosso curso não há quem consiga.
Somos o acalanto dos órfãos. Somos o bálsamo dos que queimam. Somos sopro Deus dando vida. Somos a própria vida.
Enquanto o sol mais alto surgia, devagar como o tempo, a brisa desapareceu. Aborrecido por não ter minha pergunta respondida, me retirei arrazoando com meus pensamentos, trôpego pela embriagante musicalidade da manhã, foi quando percebi que tivera minha primeira lição: A sabedoria é como a brisa mansa. Vem, anda junto e se vai. Dela ficam em poucos, as marcas. Dos que se deixam acarriciar por sua suavidade, como que pelos dedos da brisa nas folhas das árvores.
2 – As árvores
Continuei a caminhar e encontrei uma grande árvore. Já alto o dia, queimavam-me os raios do sol altivo e imponente, como um velho mestre a impor disciplina ao aluno displiscente. Sentei-me à sombra e com jovial ociosidade fitei o cintilar entre as folhas, como se o olhar do velho professor buscasse me encontrar entre as frestas de meu esconderijo.
Era uma castanheira, frondosa, forte, abraçando em círculo com seus braços longos tudo o quando pudese abraçar, como uma mamãe pássaro a envolver seus pintos sob pequeninas asas, mas que se multiplicam de tal modo que nenhum deles perde seu aprisco acolhedor sob a mais intensa chuva ou causticante sol.
Ao lado da castanheira, uma araucária alta, coroada de belas copas ostentando pinhas e balançando uma a uma como troféus por sua imponente forma.
Pousou entre as folhas da castanheira um pequenino pássaro. Quase ao meu lado. Arredio, ligeiro, atarefado em observar tudo ao seu redor como um guradião atenta para o perigo que ronda seu tesouro.
- Conheces a sabedoria? –perguntei ao pardal.
- Como ela é? Tem forma? Sabor? Cor? Pousa em que árvore? Constrói ninhos? Encontra sementes para seus filhotinhos? Banha-se nas fontes e bebe nas folhas? Quão alto voa? Brinca nos ares e voa em bandos? Procura o sul sem repouso em vôos sem descanso? Canta ao amanhecer e repousa com o crepúsculo? Foge dos predadores com astúcia? Etc, etc, etc?
Disse isso e voou dali pousando nos galhos, longe das folhas espinhentas da araucária.
Fiquei estarrecido com tantas perguntas, e enquanto ainda tentava assimilar a primeira delas, acompanhei instintivamente o ir e vir daquele passarinho, até que ele voasse para tão alto e eu não o visse mais.
Assim como chegou, se foi, sem me responder. Apenas fiquei observando o balançar das folhas de ambas as árvores pela brisa que passava, e acompanhar pássaros que iam e vinham, pousando numa e outra árvore. Na castanheira, entre as folhas. Na araucária, sobre os galhos.
Saí dali e contineu a andar. Foi quando percebi que a sabedoria estivera comigo outra vez e eu não havia percebido.
Concluí que como as árvores também podem ser as pessoas: assim as pequenas como as imponentes. Naquelas, cujas folhas pendem para o chão e se deixam soprar pela brisa, outras se podem achegar e construir seus ninhos. Embora imponentes e altivas, suas folhas sempre estão voltadas para baixo, humildes. As demais, cujas folhas também são voltadas para cima, são espinheiros, que não permitem a ninguém se aproximar. Tornam-se intocáveis e inatingíveis.
Olhei para trás, e pareceu-me por um instante ter visto olhos cintilarem entre as folhas que arrazoavam com o vento e os pássaros a respeito da sabedoria.
Pacard
1 – Os Ventos
Sempre ouvi dizer que a sabedoria morava junto ao silêncio, e resolvi então buscá-la.
Levantei bem cedo, pois o primeiro silêncio anda junto da aurora. Andei no rumo do sol e perguntei à brisa que me acompanhava:
- Conheces a sabedoria?
- Dela ouvi falar- me respondeu.Por que a buscas nesta hora do dia, em que melhor é vagar sem saber onde chegar?
- Porque sei que a posso encontrar e desejo dela sorver graça para minha vida – argumentei esperançoso de pudesse forçar o vento a me conduzir a um ponto de partida.
- Ventos não andam em busca de abstrações – disse com ar de melancolia. Somos a abstração que se pode sentir sem tocar. Somos a metáfora de Deus, porque não nascemos onde nos possam dar nome. Não andamos por caminhos pré-estabelecidos, e desaparecemos sem que nunca tenhamos sido tocados. Somos como o espírito vivo, embora caminhemos como a morte.
Ninguém nos pode guardar. Sabem quem somos só depois que passamos. Somos o passado como vozes do presente. Nos podem ouvir, até mesmo há quem procure traduzir nossas canções, mas frear nosso curso não há quem consiga.
Somos o acalanto dos órfãos. Somos o bálsamo dos que queimam. Somos sopro Deus dando vida. Somos a própria vida.
Enquanto o sol mais alto surgia, devagar como o tempo, a brisa desapareceu. Aborrecido por não ter minha pergunta respondida, me retirei arrazoando com meus pensamentos, trôpego pela embriagante musicalidade da manhã, foi quando percebi que tivera minha primeira lição: A sabedoria é como a brisa mansa. Vem, anda junto e se vai. Dela ficam em poucos, as marcas. Dos que se deixam acarriciar por sua suavidade, como que pelos dedos da brisa nas folhas das árvores.
2 – As árvores
Continuei a caminhar e encontrei uma grande árvore. Já alto o dia, queimavam-me os raios do sol altivo e imponente, como um velho mestre a impor disciplina ao aluno displiscente. Sentei-me à sombra e com jovial ociosidade fitei o cintilar entre as folhas, como se o olhar do velho professor buscasse me encontrar entre as frestas de meu esconderijo.
Era uma castanheira, frondosa, forte, abraçando em círculo com seus braços longos tudo o quando pudese abraçar, como uma mamãe pássaro a envolver seus pintos sob pequeninas asas, mas que se multiplicam de tal modo que nenhum deles perde seu aprisco acolhedor sob a mais intensa chuva ou causticante sol.
Ao lado da castanheira, uma araucária alta, coroada de belas copas ostentando pinhas e balançando uma a uma como troféus por sua imponente forma.
Pousou entre as folhas da castanheira um pequenino pássaro. Quase ao meu lado. Arredio, ligeiro, atarefado em observar tudo ao seu redor como um guradião atenta para o perigo que ronda seu tesouro.
- Conheces a sabedoria? –perguntei ao pardal.
- Como ela é? Tem forma? Sabor? Cor? Pousa em que árvore? Constrói ninhos? Encontra sementes para seus filhotinhos? Banha-se nas fontes e bebe nas folhas? Quão alto voa? Brinca nos ares e voa em bandos? Procura o sul sem repouso em vôos sem descanso? Canta ao amanhecer e repousa com o crepúsculo? Foge dos predadores com astúcia? Etc, etc, etc?
Disse isso e voou dali pousando nos galhos, longe das folhas espinhentas da araucária.
Fiquei estarrecido com tantas perguntas, e enquanto ainda tentava assimilar a primeira delas, acompanhei instintivamente o ir e vir daquele passarinho, até que ele voasse para tão alto e eu não o visse mais.
Assim como chegou, se foi, sem me responder. Apenas fiquei observando o balançar das folhas de ambas as árvores pela brisa que passava, e acompanhar pássaros que iam e vinham, pousando numa e outra árvore. Na castanheira, entre as folhas. Na araucária, sobre os galhos.
Saí dali e contineu a andar. Foi quando percebi que a sabedoria estivera comigo outra vez e eu não havia percebido.
Concluí que como as árvores também podem ser as pessoas: assim as pequenas como as imponentes. Naquelas, cujas folhas pendem para o chão e se deixam soprar pela brisa, outras se podem achegar e construir seus ninhos. Embora imponentes e altivas, suas folhas sempre estão voltadas para baixo, humildes. As demais, cujas folhas também são voltadas para cima, são espinheiros, que não permitem a ninguém se aproximar. Tornam-se intocáveis e inatingíveis.
Olhei para trás, e pareceu-me por um instante ter visto olhos cintilarem entre as folhas que arrazoavam com o vento e os pássaros a respeito da sabedoria.
sábado, fevereiro 23, 2002
Prá gringo ver ( e comprar)
Pacard* - Paulo Cardoso Designer
Inconformado com o fato de que somos insignificantemente pequenos no universo das exportações de produtos industrializados a partir das nossas florestas (de nosso, levam apenas as toras brutas e nos deixam de paga a fama de destruidores da Amazônia, insensiveis, selvagens, etc), conversei com uma amiga, espanhola, agente de exportações para a Europa de artigos brasileiros. Expus a ela minha curiosidade sobre o porquê de não exportarmos mais móveis, se temos tecnologia, matéria prima, mão de obra, preços acessíveis e qualidade. A resposta então veio de chofre (ainda se usa esta expressão?): o Brasil não oferece design. E foi além em sua rude conclusão: "tentei oferecer uma linha para os italianos e espanhóis, e, quando olharam simplesmente disseram que o que eu mostrara eram os modelos que "eles" haviam mostrado nas feiras de Milão, Valência, Frankfurt e Paris nos anos anteriores" - respondeu minha amiga.
Deste fato concluo algumas verdades e uma mentira, mas que por ser tão repetida passa por verdade. A primeira das verdades é que vi muito brasileiro catando catálogos e comprando peças nas feiras internacionais para repetí-las com pequenas modificações, com isso achando que enganam os direitos autorais e os próprios compradores. A segunda delas é que só fabricamos "sapatos" porque todos lá usam sapatos, e com isso nos acovardamos de mostrar que há outras coisas a se fazer com os pés. Só oferecemos o que lá pode ser encontrado no estado original, mas nos falta coragem para mudar conceitos, costumes e produtos.
E a grande mentira é que não temos design. Ora, temos sim senhor. E dos melhores que há no mundo. Mas sabe porque não vendemos nossos produtos com nosso design? Porque eles mentem na nossa cara e nos fazem acreditar que seremos sempre rapa do mundo. E fazem isso tão bem que a grande maioria dos designers brasileiros trabalham quase exclusivamente para o parco (eu disse "parco", com "a") consumo nacional, concentrado nas categorias mais populares.
A grande verdade disso tudo é que o mercado externo gosta da nossa madeira, da nossa mão-de-obra barata, do nosso design até, pois dificil é o concurso em que pelo menos um dos prêmios não seja destinado a um brasileiro, mas a combinação disso tudo é que complica.
Esse descrédito pode ter fim, mas é preciso em primeiro lugar que o empresário tupiniquim acredite que não é brega gostar de verde e amarelo. Brega é precisar demitir funcionários porque não quis investir em mudanças enquanto ainda isso fosse possível. Brega é engasgar ao tentar dizer o nome do designer importado para dar status à sua empresa, enquanto profissionais que falam sua própria língua precisam disputar lugar na fila do chá-de-banco à porta das empresas para tentar mostrar que o cheiro da terra pode até ser perfumado. Brega é chegar no exterior, comprar alguma peça para copiar e depois descobrir que foi produzida pelo seu vizinho, naquela fabriquetinha chinfrim, cuja conseguiu enfiar meia dúzia de produtos num balaio promovido pelas feiras comunitárias que o governo costuma subsidiar, e depois acabar esquecida nos relatórios empoeirados das estatísticas de fornecedores de trabalho barato, e com isso se achando mega exportadores.
Pacard* - Paulo Cardoso Designer
Inconformado com o fato de que somos insignificantemente pequenos no universo das exportações de produtos industrializados a partir das nossas florestas (de nosso, levam apenas as toras brutas e nos deixam de paga a fama de destruidores da Amazônia, insensiveis, selvagens, etc), conversei com uma amiga, espanhola, agente de exportações para a Europa de artigos brasileiros. Expus a ela minha curiosidade sobre o porquê de não exportarmos mais móveis, se temos tecnologia, matéria prima, mão de obra, preços acessíveis e qualidade. A resposta então veio de chofre (ainda se usa esta expressão?): o Brasil não oferece design. E foi além em sua rude conclusão: "tentei oferecer uma linha para os italianos e espanhóis, e, quando olharam simplesmente disseram que o que eu mostrara eram os modelos que "eles" haviam mostrado nas feiras de Milão, Valência, Frankfurt e Paris nos anos anteriores" - respondeu minha amiga.
Deste fato concluo algumas verdades e uma mentira, mas que por ser tão repetida passa por verdade. A primeira das verdades é que vi muito brasileiro catando catálogos e comprando peças nas feiras internacionais para repetí-las com pequenas modificações, com isso achando que enganam os direitos autorais e os próprios compradores. A segunda delas é que só fabricamos "sapatos" porque todos lá usam sapatos, e com isso nos acovardamos de mostrar que há outras coisas a se fazer com os pés. Só oferecemos o que lá pode ser encontrado no estado original, mas nos falta coragem para mudar conceitos, costumes e produtos.
E a grande mentira é que não temos design. Ora, temos sim senhor. E dos melhores que há no mundo. Mas sabe porque não vendemos nossos produtos com nosso design? Porque eles mentem na nossa cara e nos fazem acreditar que seremos sempre rapa do mundo. E fazem isso tão bem que a grande maioria dos designers brasileiros trabalham quase exclusivamente para o parco (eu disse "parco", com "a") consumo nacional, concentrado nas categorias mais populares.
A grande verdade disso tudo é que o mercado externo gosta da nossa madeira, da nossa mão-de-obra barata, do nosso design até, pois dificil é o concurso em que pelo menos um dos prêmios não seja destinado a um brasileiro, mas a combinação disso tudo é que complica.
Esse descrédito pode ter fim, mas é preciso em primeiro lugar que o empresário tupiniquim acredite que não é brega gostar de verde e amarelo. Brega é precisar demitir funcionários porque não quis investir em mudanças enquanto ainda isso fosse possível. Brega é engasgar ao tentar dizer o nome do designer importado para dar status à sua empresa, enquanto profissionais que falam sua própria língua precisam disputar lugar na fila do chá-de-banco à porta das empresas para tentar mostrar que o cheiro da terra pode até ser perfumado. Brega é chegar no exterior, comprar alguma peça para copiar e depois descobrir que foi produzida pelo seu vizinho, naquela fabriquetinha chinfrim, cuja conseguiu enfiar meia dúzia de produtos num balaio promovido pelas feiras comunitárias que o governo costuma subsidiar, e depois acabar esquecida nos relatórios empoeirados das estatísticas de fornecedores de trabalho barato, e com isso se achando mega exportadores.
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